 Neste fim de semana, três assuntos me chamaram a atenção no que diz respeito (ou desrespeito, sei lá...) à educação... O primeiro deles foi o noticiário norte-americano, mostrando o plano de recuperação dos Estados Unidos idealizado pelo Presidente Barack Obama. Além de incentivos fiscais, mudanças na economia, investimento nas obras de infra-estrutura (até parece que ele copiou o P.A.C. do Lula... ) destaca-se a preocupação com a Educação. Segundo os jornais americanos, Obama deverá triplicar a verba (que já não era pouca) destinada à escola pública, colocará a Educação Básica como prioridade de seu governo e possibilitará um maior acesso ao Ensino Superior. Aqui no Brasil, Lula e seu Ministro da Educação (do qual esqueci o nome e estou com preguiça de ir ao Google procurar..) insistem em colocar na mídia nomes pomposos como “Prova Brasil”, “Prouni” , “Reuni”, (...) que a mim soam como os famigerados “Fome Zero”, “Primeiro Emprego” e “Programa de Aceleração do Crescimento”, o tal do P.A.C. (...). E no entanto, enquanto isso, as escolas públicas continuam sucateadas, os professores continuam com salários vergonhosos e o acesso à Universidade Pública continua maquiado pelas cotas (cotas para negros, cotas para à escola pública, cotas para indígenas, cotas para corintianos, ...) processo pelo qual eu decididamente não concordo.. Não somos todos iguais perante a Constituição? Então não se deve criar “guetos” dizendo que você é um “coitadinho”, e como tal deverá ter um tratamento diferenciado para entrar na Universidade brasileira... Bom, enfim...
 (Até parece o Lula.. olha só o copinho..!)
O segundo tema que se destaca é como o Ensino Médio vem sendo mostrado na novela Caminho das Índias... Se você não sabia das novidades de Obama para a educação, com certeza já deve ter visto a novela da Globo, onde a professora de língua portuguesa Berê (Silvia Buarque) sofre para ensinar em um Colégio Particular do bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, o (fictício) Colégio Vera Lúcia Flores. O nome da escola é uma (justa) homenagem a uma das “Mães de Acarí”, como ficou conhecido o movimento das mães de 11 adolescentes que foram seqüestrados e assassinados por policiais cariocas em 1990, na Favela de Acarí. Vera Flores (e as outra mães) lutou para encontrar e enterrar o corpo da filha até hoje desaparecida, mas em agosto de 2008 um acidente vascular cerebral a impediu de continuar esta luta ingrata... Ingrata também é a luta da prof.ª Berê, que tem que suportar um grupo de adolescentes (melhor seria dizer, delinqüentes juvenis) que a impedem de ministrar suas aulas, além de demonstrar um profundo desrespeito com a educadora. E neste grupo de alunos existe um líder: o Zeca (Duda Nagle), que não é um deliquentezinho qualquer... não.. ele é um típico marginal da classe média alta, que insufla os colegas contra todas as normas da escola, briga com os colegas mais humildes e apronta todas as barbaridades possíveis, sempre com a anuência do pai, que acha que a escola tem que aprovar seu filho, pois ele está pagando e a responsabilidades dos pais com relação à educação do filho é apenas essa: pagar o colégio . (...) No mais, o filho está sempre certo, e tudo que acontece é “marcação” e “crocodilagem” dos professores... E o que se destaca aqui, é que tem muitos pais que acreditam neste discurso ridículo, e acham que a escola tem obrigação de dar educação aos filhos, esquecendo que isso começa no berço... Em um capítulo recente, o tal do Zeca conseguiu esconder o Notebook da professora Berê, e ainda colocou a culpa em outro aluno.. e o papai dele, é claro, achou tudo normal e perguntou qual criança não fazia travessura naquela idade...

E o episódio do Notebook me lembrou outra notícia interessante... (a terceira) de que o governo brasileiro vai incentivar e adotar o uso de computadores em todas as salas de aulas das escolas públicas. É interessante o fato de que, em escolas tão precárias que ainda faltam comida para a merenda dos alunos tenham um computador ligado à Internet (não sei como vão conseguir conectar em alguns rincões do país..) para “melhorar a educação”, como disse o nosso ministro (ainda não me lembrei do nome dele...) Eu sou do tempo em que a gente estudava apenas com o giz e o quadro-negro (que na verdade era verde...) e aprendia!!! No geral, o professor levava, de vez em quando, um projetor de slides para a sala, que era o máximo em tecnologia que tínhamos acesso... e se aprendia muito bem!!! Hoje os recursos (e os discursos) são muitos... é computador pessoal, Internet, Dvd, Data-Show... e, contudo, não vejo um grande avanço no processo ensino-aprendizado... O fato é que banalizaram o uso da tecnologia na escola... Toda aula tem que ter um ou mais desses recursos, senão o professor não consegue mais ensinar... E se “der um apagão” e ficarmos sem energia elétrica por alguns dias, teremos professores que ficarão desnorteados, pois não sabem mais escrever com o giz no quadro-negro... E é este o quadro da educação hoje no país... enquanto a Rede Globo contribui para denegrir a classe dos professores, incentivando os alunos a serem novos “Zecas”, o governo se preocupa com as “novas tecnologias” e se esquece da formação básica de alunos e professores... assim nem Obama com os U$ 700 bilhões para o novo pacote, nem Vera Lúcia Flores com sua luta contra os policiais de Acarí dariam conta... e como se diz na novela: Are baba!
Um abraço à todos!!! |