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Catalão tem perfil empreendedor e pode se tornar referência nacional

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“Somos o que repetidamente fazemos, portanto excelência não um feito, mas um hábito” Aristóteles.



O professor Marcos Bueno especialista em administração (ênfase em empreendedorismo) pela UFU e pela Universidade do Quebec (Canadá) e Administração Pública(RH) pela FGV, idealizador ao lado de outros colaboradores dos projetos implantados com sucesso em Catalão, Fundação Cultural (ex Casa da Cultura) em 1984 e na instalação do Senai para Catalão em 1988, apresentou ao Prefeito Velomar e ao Secretário de Indústria e Comércio Nilson João, mais uma proposta inovadora, a implantação de uma Incubadora de Empresas em Catalão, semelhante as que já existem em Goiânia e outras cidades Essa proposta foi apresentada inicialmente em 2003 e já foi debatida e aprovada anteriormente pelo Sebrae e contou com o apoio dos ex-vereadores Antero e César e do atual vereador Deusmar. Segundo pesquisadores, foi em 1938, nos EUA, que surgiu a primeira experiência de incubação de empresas. Partiu da iniciativa de dois estudantes da Universidade de Stanford, cujos sobrenomes se perpetuaram no mundo empresarial: Hewlett e Packard. Dali, para a HP tornar-se uma empresa global. Além da iniciativa dos sócios H&P, em 1959, no estado de Nova Iorque, foi fechada um fábrica da Massey Ferguson e provocou a demissão de milhares de trabalhadores. Então, o comprador da fábrica decidiu alugar o espaço para pequenas empresas iniciantes que, por sua vez, atuavam em regime de compartilhamento de recursos. Na realidade, na década de 70, o modelo de incubação se consolidou nos EUA e Europa face o elevado nível de desemprego industrial motivado pela recessão da economia mundial (crise do petróleo). Assim, as incubadoras se constituíram numa porta de entrada para que empreendedores independentes pudessem constituir seus próprios negócios. Estas iniciativas resultaram, por exemplo, na criação do Vale do Silício americano, através da expansão do movimento de incubação no meio acadêmico. No Brasil, os primeiros empreendimentos desta natureza surgiram na década de 80, com a criação do Parque Tecnológico de Campina Grande (Paraíba) e em São Carlos na UFSCar. Importante ressaltar que as micro e pequenas empresas, somadas às de médio porte, representam 98 % das empresas existentes no setor industrial, comercial e de serviços no pais. Assim, a incubadora organiza e desenvolve empresas. Estas, bem-sucedidas, contribuirão para elevar o PIB e a balança comercial do país, conquistando posição de destaque no cenário mundial, gerando, por conseguinte, novos postos de trabalho que estão, indubitavelmente, nas pequenas empresas. Além disso, outras razões se apresentam para a implantação de um Programa de Incubação de Empresas. Contudo, o fato mais relevante diz respeito à taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas. Segundo um estudo do Sebrae, nos últimos quinze anos, na média, das 133 mil empresas criadas, 91 mil foram desativadas a cada ano, ou seja, 68 % delas fecharam as portas. Contudo, em 2004, a taxa de mortalidade recuou 21 %, ou seja, de 91 mil empresas desativadas para 72 mil, atingindo 56 % a taxa de mortalidade. Neste estudo, interessante notar os aspectos que levam à mortalidade e à permanência no mercado. Hoje, no Brasil, tem-se uma média de crescimento anual de cerca de 30% do número de incubadoras de empresas. Esse percentual significa, atualmente, 400 incubadoras existentes no país, responsáveis por cerca de R$ 400 milhões em impostos e pela cobertura de 25 unidades da federação. Segundo a Anprotec as incubadoras respondem por mais de 27 mil de empregos. Então fica a pergunta será que implantar uma Incubadora de Empresas é um bom negócio para a cidade e região? Incubadoras é um negócio muito sério, necessário, urgente e o mundo sabe e reconhece.


*Marcos Bueno é professor, doutorando em psicologia pela PUC-GO, mestre em Eng. de Produção pela UFSC, Especialista pela FGV e pela UFU/UQTR e ex-gerente de RH e Qualidade

Para que Serve uma Associação de Ex-Alunos? Será que têm Associações de ex-clientes?

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O renomado professor e consultor Stephan Kanitz da USP escreveu um belo artigo sobre Para que serve uma Associação de Ex-Alunos? E nós acrescentamos: Será que têm Associações de ex-clientes? Associações de Ex-Professores, de Ex-funcionários, de Ex-Politicos, etc.


Kanitz com sua lucidez, sempre aborda temas que provocam reflexões sociais e éticas e provocam quebras de paradigmas como no caso das Associações de Ex-Alunos. Vejamos o que ele comenta. Pelo próprio nome, percebe-se que no Brasil as escolas e as faculdades nunca se preocuparam com o relacionamento com seus ex-alunos. Acrescentamos, demorou para alguém perceber e falar sobre isso. Nenhuma escola séria chamaria a sua associação de ex-alunos. Do ponto de vista de marketing não há nada pior. Uma associação de pessoas que não mais são que nunca voltará a ser. É por isso que muitos ex-alunos não retornam as suas escolas, são esquecidos. Na nossa análise, esse é um problema cultural brasileiro, no Brasil temos a cultura do esquecimento, esquecemos de quase tudo, esquecemos dos valores, da ética, dos bons trabalhos, das boas aulas, dos bons encontros, dos bons momentos, das boas contribuições, das boas doações, e o pior esquecemos também dos nomes de quem fez boas coisas e dos que fizeram coisas contra a sociedade.


Faculdades brasileiras tradicionalmente nunca mais querem ter nada com seus ex-alunos, como esposas nada mais querem ter a ver com seus ex-maridos. Um absurdo! Diz Kanitz.
E acrescenta que o a
luno é visto como um problema e não uma oportunidade devido à nossa tradição de escolas públicas e ensino gratuito. Se as escolas vêm os alunos como problema eles se comportam como problemas e não como soluções, como oportunidades, como recursos estratégicos do país, como são vistos em outros países onde a educação é vista e percebida com mais rigor e mais valor. Aqui o trabalho do professor é visto como bico, como uma atividade complementar da renda, o que é lamentável, e essa cultura começa em casa com os pais que não valorizam a educação.


Kanitz diz ninguém quer ensinar aluno gratuitamente para sempre, quanto mais rápido forem ex, melhor. E se o aluno é tratado como ex, ele trata a escola como ex também, afinal retribuímos o que recebemos, é a lei natural humana.


Kanitz cita, nos Estados Unidos, onde quem paga o ensino são os pais ou os próprios filhos, as associações de ex-alunos são conhecidas como Alumni. Não tem “ex” coisa alguma. Alunos sempre serão, e logo serão convidados a fazer um curso de pós, mestrado, cursos de atualização, e assim por diante. Deveríamos ensinar que somos eternamente alunos ou Alumni em latin. O alerta do prof. Kanitz. Fidelização do aluno faz parte da missão de toda universidade americana. Em Harvard tem um professor designado a estudar a nossa turma de 1972, como estamos indo e quanto estamos ganhando. Qual universidade ou faculdade no Brasil tem um programa fantástico e simples como esse? Se falarem em recursos, vou dar risada, pois recursos é o que não falta no Brasil, falta comprometimento com qualidade, ética. Kanitz diz. A cada cinco anos nos reunimos e discutimos a nossa situação. Como voltei para ser professor da USP, com salário da USP, recebi deste professor um pedido singelo para deixar de preencher os questionários, porque meu salário estava estragando a média da turma. Aceitei o pedido, para não gerar vergonha para a minha turma.


Faculdades deveriam ser instituições preparadas e dispostas a servir seus alunos para o resto de suas vidas, fornecendo as atualizações necessárias para cada profissão, sendo o centro de pesquisas da profissão, absorvendo para si e futuras gerações, os aprendizados de seus alunos.


Faculdades que criam Associações de Ex-Alunos mostram claramente o pouco caso com que elas consideram os seus próprios formandos. É como se empresas criassem associações de ex-clientes. O fim da picada!


Belo artigo do professor Kanitz. Aproveitei e fiz pequenos comentários sem prejudicar a importância do texto.



 


*Marcos Bueno, Psicólogo, professor, doutorando pela PUC-GO em psicologia.


 

Idéias e soluções para o Mercado de Trabalho

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A contribuição dos administradores para o mercado de trabalho e empregos em 2010: nova era para o Brasil.


Marcos Bueno*


 


Administradores têm outra forma de encarar o mundo.


Eles lutam para criar a riqueza que ainda não temos. Stephen Kanitz


 


Em plena época de formatura dos diversos cursos onde a busca pelas realizações de tantos sonhos de entrar no mercado de trabalho ou de abrir um negócio começa a ser testado vamos dar destaque para o curso de Administração e utilizar para nossas reflexões o excelente artigo de Stephen Kanitz, MBA em administração pela Harvard, publicado pela revista Veja, edição L886, ano 38, nº I, 5 de janeiro de 2005,pagina 21.


Cita Kanitz (2005),que em 2010 que falta apenas dois anos, teremos 2 milhões de administradores formados,e se cada um empregar vinte pessoas,haverá 40 milhões de empregos  novos.


Será o fim da exclusão social. Administradores nunca foram ouvidos por políticos e deputados nem concorriam a cargos públicos.


Em 2010, daqui a dois anos, é muito provável que teremos nosso primeiro presidente da república formado em administração.


Por incrível que pareça, nunca tivemos um executivo no Executivo.


Muitos de nossos ministros e governantes aprendiam no próprio cargo, errando a um custo social imenso para a nação. Foi-se o tempo em que o mundo era simples e não havia necessidade de ter um curso de administração para ser um bom administrador.


Não quero exagerar a importância dos administradores, mas somente lembrar que eles são o elo que faltava.


Ordem não gera progresso, estabilidade econômica não gera crescimento de forma espontânea, sempre há a necessidade de um catalisador.


Não será uma transição fácil, pois as classes dominantes não aceitam dividir o poder que têm.


Há muita gente interessada em manter essa bagunça e desorganização, como vivem denunciando Luiz Nassif, Arnaldo Jabor e José Simão.


Gente que é contra supervisão, eficiência e organização.


Administradores têm pouco espaço na imprensa para defender suas idéias e soluções.


Em pleno século XXI, cita Kanitz, sou um dos raros administradores com uma coluna na grande imprensa brasileira, e mesmo assim mensal.


Peter Drucker, há quarenta anos, tem uma coluna semanal em dezenas de jornais americanos, ele e mais de trinta gurus da administração.


Administradores têm outra forma de encarar o mundo. Eles lutam para criar a riqueza que ainda não temos. Economistas e intelectuais lutam para distribuir a pouca riqueza que conseguimos criar, o que só tem gerado mais impostos e mais pobreza.


Se esses 2 milhões de jovens administradores que vêm por aí ocuparem o espaço político que merecem,seremos finalmente um pais bem administrado,com quinhentos anos de atraso.


Feito essas considerações lúcidas do Prof. Kanitz é importante destacar o que muitos pensadores têm comentado sobre o Brasil como uma belindia, isto é: bolsões de primeiro mundo desenvolvido como da Bélgica com bolsões com enormes problemas sócio-econômicos como da Índia. O que tem faltado ao mundo é uma forma adequada de gerenciar as riquezas e necessidades. Falta um gestor global, talvez a ONU pudesse fazer esse papel extremamente humano. Evitaria tanta fome, guerras, doenças e misérias no mundo. Falta ética humana aos gestores das grandes potências.


Os países desenvolvidos têm um modelo educacional e social melhor do que os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Enquanto no Brasil a média de anos de escolaridade é de 5 anos nos países desenvolvidos o mínimo que se encontra é de 8 a 10 anos de escolaridade média da população.O que significa dizer investem muito em educação, capacitação, pesquisa e desenvolvimento e em oportunidades de melhoria de qualidade vida no trabalho e na sociedade.


O Brasil tem se preocupado com a quantidade de escolas e número de vagas nas faculdades particulares para melhorar o índice de desempenho humano – IDH junto aos organismos internacionais para fazer média política e obtenção de recursos, muitos a fundo perdido. Falta agora cuidar da qualidade do ensino público e privado. Atualmente há vagas ociosas nas faculdades particulares e faltam vagas nas Federais.


Henry Fayol já tinha definido como administrar com eficiência e tentou descrever e formalizar o trabalho do executivo, no começo do século XX. Para Fayol as funções realizadas pelo executivo podem ser divididas em “prever, organizar, comandar, coordenar e controlar”. É o que falta em muitas organizações e países como foi citado por Peter Drucker em seus livros sobre administração e gestão.


O tempo da improvisação, do achômetro,do chutometro acabou e quem não percebeu quebrou,faliu. Os empresários tradicionais estão dando lugar aos novos empreendedores como podemos ver no novo livro do Ricardo Semler “ Você está louco”.Todos os países desenvolvidos tiveram a contribuição de uma fábrica de criar empresas que é conhecida como “Incubadora de Empresas”.Em todos os estados brasileiros tem incubadoras que ajudam a geração e inovação de negócios,em Goiânia tem,Uberlândia tem,em fim na maioria das cidades tem uma “Incubadora de Empresas”.


Em Catalão já apresentamos um Projeto de criação de Incubadora de Empresas ao SEBRAE, Secretaria de Indústria e Comércio e o Vereador Antero Silva também já encaminhou o projeto aos órgãos competentes, falta apenas e tão somente vontade política. Catalão e região precisam de uma Incubadora de Empresas para formar novos administradores para dar suporte gerencial na arte de criar riquezas tanto as empresas existentes como as novas micro, pequenas e médias empresas. Vamos deixar de improvisar e ser mais profissional em tudo que fazemos. O mercado mudou, os clientes estão a cada dia mais, muito mais exigentes e se você não atende o que ele quer sua empresa some do mapa,deixa de existir e muitos empregos vão embora também.


 


Quando houver participação de administradores na gestão das organizações, finalmente seremos administrados por profissionais, e não amadores.S.Kanitz


 


O ex-presidente do Conselho Regional de Administração de Goiás e membro do Conselho Federal de Administração Samuel Albernaz tem apresentado as prefeituras um projeto de lei para a criação do cargo de administrador público o que vai ao encontro da proposta do Prof. Kanitz de profissionalizar a gestão empresarial e pública e a geração de empregos e renda, ele já entregou o projeto ao prefeito de Catalão.



 


 


 


 


 


 


*Marcos Bueno, mestre em engenharia de produção pela UFSC, pós-graduado em administração pública pela FGV e empresarial pela UFU/UQTR, coordenador da pós-graduação e professor no CESUC.

Empreendedorismo e Incubadoras de Empresas: a próxima revolução sócio-econômica

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Empreendedorismo e Incubadoras de Empresas: a próxima revolução sócio-econômica


Marcos Bueno*



“Inicialmente, é necessário compreender que toda empresa deve ter um motivo para existir. Em seguida, todo empreendedor tem que estar ciente e bem convencido de por que sua empresa deve ser criada.” Victor Mirshawka.


 


Para o professor Mirshawaka da FAAP uma empresa só sobrevive e tem sucesso quando o empreendedor proprietário consegue identificar a demanda verdadeira para seus bens e/ou serviços.


Como desenvolver um programa de micro e pequenas empresas nos pequenos municípios? Muito simples através das Incubadoras de Empresas. O que é uma Incubadora de Empresas?Incubadora de empresas é um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas, oferecendo suporte técnico, gerencial e formação complementar ao empreendedor. A importância da implantação de uma incubadora, e o novo modelo que se desenha hoje no Brasil são com enfoque para as necessidades regionais.


O Brasil está entre os dez maiores países empreendedores do mundo.O que precisa é estimularmos ações empreendedoras positivas, e reduzirmos o pessimismo cultural no Brasil e dedicarmos a projetos de criação e desenvolvimento do parque das micro e pequenas empresas, dessa forma o município além de estimular o emprego e renda, melhora sua economia local e torna-se mais independente com relação ao futuro.


Catalão e tantas outras cidades têm uma dependência muito grande de algumas empresas, só que essas exploram matérias prima que tem vida útil definida cientificamente e depois como será? Portanto nada mais sábio que investir em plantas industriais, parques industriais e tecnológicos mais simples, rápidos e que atendem as necessidades sociais no curto, médio e longo prazo dentro da vocação de cada cidade.


Na Malásia existe o Ministério do Desenvolvimento do Empreendedorismo, e o seu ministro Mustapa Mohamed há alguns anos disse; “A minha função principal é a de promover o empreendedorismo em toda a nossa nação, e não faz muito tempo, nem eu e tampouco meu staff sabíamos exatamente o que vem a ser empreendedorismo…”


O Brasil precisa além de um Ministério semelhante ao da Malásia, Secretarias Estaduais e Municipais de Empreendedorismo, aí teremos uma sinergia positiva em direção crescimento local e nacional.


O Japão reorganizou sua economia com base nas micro e pequenas empresas e que ajudaram a se tornar uma potência mundial após 1945.


Segundo o professor e consultor do Sebrae nacional, Édson Gonçalves uma leitura histórica da origem das incubadoras no mundo, teve início no ano de 1937 nos Estados Unidos, por iniciativa de dois alunos formados em Engenharia de Comunicações na Universidade de Stanford, de nomes Hewllet e Packard. Na verdade esses alunos –mais tarde viraram empresários bem sucedidos – foram os criadores da poderosíssima empresa americana de computadores que leva os seus nomes: HP.


O idealizador do projeto das Incubadoras aqui no Brasil foi um professor do CNPq, Linaldo Cavalcante, que disseminou a idéia e o projeto de incubadoras e foi implantado, inicialmente, nas cidades de Campina Grande (PB), Manaus(AM), São Carlos(SP), Porto Alegre(RS) e Florianópolis(SC), para posteriormente se estender por todo o país. A Universidade Federal de Santa Catarina em Florianópolis é o grande centro incubador nacional.


Hoje no Brasil, dos 27 estados da federação, somente o estado do Acre não possui uma incubadora funcionando. E é bom lembrar que, ao todo no nosso país são 4.500 empresas incubadas em cerca de 320 incubadoras, sendo que, a sua maioria está instalada em ambientes de universidades e em centros e parques tecnológicos. E essas empresas têm como principal parceiro o Sebrae. Em Goiás há quatro Incubadoras de empresas, em Goiânia na UFG e na Universidade Salgado de Oliveira, em Goianésia, e em Jataí, esperamos em breve uma em Catalão.


Durante muitos anos os gestores públicos municipais tinham os olhos voltados para as grandes e médias empresas, hoje já está provado que essa não é mais uma boa estratégia política, porque é muito difícil transferir ou criar uma grande empresa para uma cidade pequena ou média, as grandes empresas precisam de uma grande e complexa infra-estrutura que dificilmente uma pequena cidade do interior do Brasil pode oferecer.


Mais de 60% da economia global é produzida pelas micro, pequenas e médias empresas, portanto é mais estratégico focar no que é possível fazer no curto e médio prazo, que é o investimento de tempo e recursos nas micro e pequenas empresas.O que significa investir no talento dos empreendedores, principalmente local, na prata-da-casa da cidade.Precisamos investir na auto-estima local, temos talento para isso.


 


 


 



 


*Marcos Bueno é mestre em engenharia de produção pela UFSC, especialista em administração pela UFU e FGV, psicólogo e professor na pós-graduação e graduação do CESUC em Catalão-GO.

Porque os funcionários adoecem tanto no mundo do trabalho?

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Contribuições de Christoph Dejours à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. Porque os funcionários adoecem tanto no mundo do trabalho?


Marcos Bueno*


 


No final do século XX, a concepção de saúde foi, gradualmente, tornando-se mais abrangente, multidisciplinar e subjetivas, abarcando o estado de bem-estar físico, mental, social e espiritual, o ser holístico, cujo fundamento absorveu nas noções de multicausalidade e de ênfase na primazia dos valores sociais do trabalho. No dizer Edgar Morin (1990) a ciência com consciência vem influenciando também de forma poderosa o mundo do trabalho, tanto no que tange na organização do trabalho quanto na análise do trabalho. O mundo do trabalho é parte integrante da vida humana e como tal necessita de ser cuidada de forma saudável e com vistas no prazer da vida e do vivido com plenitude.


A relação do homem com o mundo trabalho estabelece uma relação, um status social que não se restringe ao ambiente físico do individuo do trabalho. Pelo contrário, a atividade profissional ou laboral é parte visível e invisível do universo individual e social de cada um, sujeito no mundo, podendo ser traduzida tanto como meio de equilíbrio e de desenvolvimento quanto como fator diretamente responsável por danos à saúde integral.


O livro, Psicodinâmica do trabalho de DEJOURS, Christophe; ABDOUCHELI, Elisabeth; JAYET, Christian. (2007) é uma coletânea de textos inovadores sobre o mundo trabalho em suas múltiplas dimensões e facetas e foi um dos primeiros estudos traduzidos no Brasil ao lado do outro livro de Dejours A loucura do trabalho (1987) e tem despertado um grande interesse, pois coloca em pauta temas até então praticamente desconhecidos, provavelmente devido aos aspectos psicopatológicos ou normóticos da sociedade e das organizações que de forma consciente ou inconsciente tem camuflado as questões relativas ao prazer e principalmente ao sofrimento tanto físico quanto psíquico. Os textos de Dejours e seus colaboradores especialmente da Escola francesa do trabalho tem aberto novas perspectivas de análise da relação prazer, sofrimento e trabalho.


O trabalho de Dejours tem marcado um ponto singular e notável que é o trabalho multidisciplinar envolvendo profissionais de Psicologia, Sociologia, Saúde, Análise Organizacional, Ecologia e questões ambientais do Trabalho e Psicanálise que deu o enfoque psicodinâmico da abordagem Dejouriana.


A escola Dejouriana dá ênfase á organização do trabalho e seus impactos sobre a saúde mental dos trabalhadores de todos os segmentos, tanto no denominado trabalho visível quanto o ainda pouco explorado o trabalho invisível.


No final do século XX, a concepção de saúde foi, gradualmente, foi
tornando-se mais abrangente, mas multidisciplinar e subjetiva, abarcando o
estado de bem-estar físico, mental, social e espiritual, o ser holístico,
cujo fundamento absorveu nas noções de multicausalidade e de ênfase na
primazia dos valores sociais do trabalho. No dizer de Morin (1990) a ciência
com consciência vem influenciando também de forma poderosa o mundo do
trabalho, tanto no que tange na organização do trabalho quanto na análise do
trabalho. O mundo do trabalho é parte integrante da vida humana e como tal
necessita de ser cuidada de forma saudável e com vistas no prazer da vida e
do vivido com plenitude e não no sofrimento e no adoecimento.


A relação do homem com o mundo trabalho estabelece uma relação, um status
social que não se restringe ao ambiente físico do individuo do trabalho.Pelo
contrário, a atividade profissional ou laboral é parte visível e invisível
do universo individual e social de cada um,sujeito no mundo,podendo ser
traduzida tanto como meio de equilíbrio e de desenvolvimento quanto como
fator diretamente responsável por danos à saúde integral.


O livro, Psicodinâmica do trabalho de DEJOURS, Christophe; ABDOUCHELI,
Elisabeth; JAYET, Christian. (2007) é uma coletânea de textos inovadores
sobre o mundo trabalho em suas múltiplas dimensões e facetas e foi um dos
primeiros estudos  traduzidos no Brasil e tem despertado um grande
interesse, pois coloca em pauta temas até então praticamente desconhecidos,
provavelmente devido aos aspectos psicopatológicos ou normóticos da
sociedade e das organizações que de forma consciente ou inconsciente tem
camuflado as questões relativas ao prazer e principalmente ao sofrimento
tanto físico quanto psíquico. Os textos de Dejours e seus colaboradores
especialmente da Escola francesa do trabalho tem aberto novas perspectivas
de análise da relação prazer, sofrimento e trabalho.


         O trabalho de Dejours tem marcado um ponto singular e notável que é o
trabalho multidisciplinar envolvendo profissionais de Psicologia,
Sociologia, Saúde, Análise Organizacional, Ecologia e questões ambientais do
Trabalho e Psicanálise que deu o enfoque psicodinâmico da abordagem
Dejouriana.
        A escola Dejouriana dá ênfase á organização do trabalho e seus impactos
sobre a saúde mental dos trabalhadores de todos os segmentos, tanto no
denominado trabalho visível quanto o ainda pouco explorado o trabalho
invisível.
        A contribuição de Dejours envolve os denominados três níveis do
comportamento organizacional estudados por Stephen Robbins, ou seja, o nível
do individuo, o do grupo e das organizações e sociedades. Todos esses três
níveis, micro, meso e macro estão diretamente relacionados com os processos
de mudança.


O livro é dividido por uma introdução feita por Edith Seligmann-Silva onde
aborda a travessia da psicopatologia enquanto um conceito médico
psiquiátrico orgânico e somático para o novo conceito criado por Dejours a
Psicodinâmica do trabalho como um novo e revolucionário percurso.

Edith Seligmann-Silva cita Dejours (1987 b):


“O sofrimento designa então, em uma primeira abordagem, o campo que separa a doença da saúde. Dentro de uma segunda acepção, o sofrimento designa um campo pouco restritivo. Ele é concebido como uma noção especifica válida em psicopatologia do Trabalho, mas certamente não transferível a outras disciplinas, notadamente à psicanálise. Entre o homem e a organização prescrita para a realização do trabalho, existe, às vezes, um espaço de liberdade que autoriza uma negociação, invenções e ações de modulação do modo operatório, isto é,uma invenção do  operador sobre a própria organização do trabalho,para adaptá-la às suas necessidades,e mesmo para torná-la mais congruente com seu desejo.Logo que esta negociação é conduzida a seu último limite,e que a relação homem-organização do trabalho fica bloqueada,começa o domínio do sofrimento-e da luta contra o sofrimento.”


 


A psicodinâmica do trabalho se define como a análise dos processos psíquicos
mobilizados pelo encontro entre um sujeito e os constrangimentos da
organização do trabalho. Nos anos 1980, as pesquisas realizadas nos meios de
trabalho permitiram descobrir a existência de estratégias coletivas de
defesa contra o sofrimento no trabalho.


No capitulo 1 Dejours abordou a carga psíquica (energia mental) de trabalho responsável pela fadiga e stresse, que originalmente teve sua publicação em 1980 e aqui o autor deixa claro o caráter qualitativo e dinâmico da não mensuração da “carga psíquica” e é necessária ser  mensurável devido a estar inserida na subjetividade, mas tão real enquanto vivência articulada às exigências ou pressões do mundo do trabalho. E aqui Dejours aproxima a Psicopatologia do trabalho da Ergonomia que tem na carga psíquica um de seus eixos centrais.Os estudiosos da Qualidade de Vida no Trabalho-QVT, também tem se debruçado sobre esse tema de fundamental importância para o estudo do prazer e do adoecimento(sofrimento).Quantas pessoas sofrem de depressão, ansiedade, transtornos do pânico,TOC (transtorno obssessivo-compulssivo), cardiopatias, alergias, problemas de pele, úlceras, gastrites,medos diversos,etc., frutos do sofrimento causados pelo trabalho. Aqui a autor aborda a questão da organização do trabalho, cujo papel determinante é mensurar o sofrimento mental e o segundo aspecto é quanto a liberdade e autonomia como recursos necessários à estabilidade psicossomática (corpo-mente).


No capitulo 2 é abordado o grande desafio Desejo ou motivação? Eis a questão!A interrogação psicanalítica sobre o trabalho é também um estudo conceitual de grande interesse segundo o autor. A motivação sempre foi um dos principais mistérios de interesse das organizações. Os autores mergulham na busca de entender motivação e o desejo, primeiro a partir de conceitos, depois nas situações concretas.Enquanto o desejo está num nível mais interno, no Id, na casa dos impulsos, da pulsão, da energia mais inconsciente que aparece sobre a cara das necessidades e nem sempre compreendida,mas muito explorada pela publicidade, propaganda e pelo marketing a serviço das organizações e do capital, a motivação é um processo do consciente, está num nível mais visível, percebível,mais racional, motivos para agir, quais os motivos, as razões que o individuo tem para agir.Os motivos poder remeter ao desejo.O desejo quando não resolvido vai gerar a angustia que é um sofrimento psíquico que poderá desdobrar em sofrimentos no corpo ou doenças psicossomáticas,muitas das vezes de diagnóstico mais complexos,onde o individuo pode ficar medicando os sintomas(problema) sem trabalhar as causas, como fazemos nos processos de qualidade e portanto sempre é possível vir a recidiva da doença não curada,apenas adormecida pelo uso do medicamento.


No capitulo três é abordado Trabalho e saúde mental: da pesquisa à ação, examina a gravidade dos riscos que ameaça a segurança quando os procedimentos de trabalho se chocam com sua viabilidade, numa situação em que ocorre um incremento da rigidez do controle (Taylor) administrativo sobre uma área de manutenção da usina nuclear(estudo de caso do livro).O próximo texto trata da metodologia adotada sempre com entrevistas coletivas,onde se consegue uma abrangência maior das respostas pelos autores na realização da pesquisa de campo.


É abordado o caso de uma usina nuclear francesa que nos remete ao debate tão atual dos grandes e graves riscos tecnológicos e da questão ambiental mundial. A visão de Dejours e sua equipe estão intimamente interligadas com as preocupações socio-ambientais e consciência profunda da ecologia humana e ambiental do físico Frtjof Capra.


O trabalho relevante que o Serviço de Medicina e Segurança do Trabalho tem potencial de assumir no diagnóstico de situações de risco também pode ser inferido da leitura deste estudo de caso, o que assegura a importância dos conhecimentos de Psicopatologia do trabalho na formação desses profissionais e a conexão aberta com os níveis gerenciais com a área de Segurança e Medicina do Trabalho. Infelizmente muitos gerentes, diretores e executivos ainda estão profundamente analfabetos em relação a segurança e medicina do trabalho e acham esse serviço atrapalha o seu trabalho e com essa atitude acabam provocando muitos casos de adoecimento no trabalho, prejudicando a organização, o trabalhador, sua família e a sociedade.O valor que o Ministério da Saúde e Previdência Social arcam com tratamentos e afastamento por doenças do trabalho equivale ao custo de uma guerra do Vietnam.


O Brasil gasta R$ 32 bi por ano com acidentes de trabalho (ou 4% do Produto Interno Bruto-PIB) e a bagatela de US$ 76 bilhões por ano com mortes e lesões causadas por doenças do trabalho. Estão incluídas nesse cálculo as indenizações pagas pela Previdência Social, os custos em saúde e a perda de produtividade do profissional. Além de sofrimento e custos sociais incalculáveis, os acidentes de trabalho geram um prejuízo financeiro significativo para o Brasil. De acordo com a Previdência Social, do valor total de gastos, cerca de R$ 8 bilhões correspondem a benefícios acidentários e aposentadorias especiais. No Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (27 de julho), dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que o gasto no mundo corresponde a 4% do Produto Interno Bruto Mundial, ou seja, tudo que os países produzem em serviços e bens. De acordo com o médico e consultor da OIT, Zuher Handar, uma análise feita pela organização mostra que esses 4% são 20 vezes maior que toda a ajuda oficial do mundo direcionada ao desenvolvimento e sem falarmos na ajuda humanitária contra a fome e a violência a e as vitimas das “guerras santas ou frutos das sombras humanas, arquétipo coletivo milenário da profunda normose humana”.Então esses números mensuráveis do sofrimento e do adoecimento causam no mínimo uma sensação de terror em quem tem consciência e perguntamos :qual o preço da ignorância humana.Dejours incomoda porque nos desperta de sono narcotizado pela força do poder das organizações denominadas por Max Pagés de hipermodernas em tecnologia ,mas atrasadas como prisões psíquicas modernas.A alegoria da caverna de Platão está super atualizada.


O ultimo texto do livro de Dejours aborda o itinerário teórico em psicopatologia do trabalho, a construção do conhecimento, até o momento da publicação deste trabalho em 1990. O itinerário coloca o histórico percorrido em duas etapas, na primeira, o cenário é ocupado pelo estudo do sofrimento e de seu surgimento a partir do confronto psiquismo\ organização do trabalho. Suas perspectivas são aí privilegiadas: uma é a que se volta para a dinâmica geradora deste sofrimento, e a outra é a que se concentra na análise das estratégias defensivo-individuais e coletivas-que são suscitadas pelo mesmo sofrimento segundo os autores.


Cabe aqui ressaltar que o trabalho Dejouriano prossegue nos anos 90, quando começam a ser publicados novos e inovadores trabalhos,especialmente no Brasil e na Unb com as dissertações e teses de doutorado sob a supervisão da Profa. Dra.Ana Magnólia Mendes.


Dejours na conclusão coloca que o desafio que a psicodinâmica tem pela frente e é um termo cunhado na psicanálise e se dispõe a atender pode ser identificado a partir de muitas descobertas relatadas nos textos da presente coletânea: é o de superar a atual distancia entre organização prescrita e organização real do trabalho, levando em conta todos os perigos que tal distância atualmente representa para a saúde, para a segurança e para a qualidade do que é produzido. Afinal o que o mundo produz?


Deste ponto de vista, a pesquisa em psicopatologia do trabalho é um tempo de elaboração, ou melhor, de perlaboração do vivenciado e das condutas transformadas em conhecimentos e postos imediatamente á disposição para a ação. Através da visão lúcida da Psicopatologia do trabalho e mais recentemente nessa obra como Psicodinâmica do trabalho o trabalho passou a dar forma como um operador fundamental na própria construção do sujeito, ou como poderíamos dizer operador do trabalho, operador do desejo, um encontro necessário entre o real e o imaginário, entre o objetivo e o subjetivo, entre as prisões psíquicas e a liberdade com autonomia consciente e madurecida. O trabalho no dizer dos autores não é apenas um teatro aberto ao investimento subjetivo, ele é também um espaço de construção do sentido e, portanto, de conquista da identidade, da continuidade e historização do sujeito. Continuando, Dejours, dessa forma, ao lado da economia das relações amorosa, a dinâmica das relações sujeito-organização do trabalho poderá ocupar um espaço significativo no processo de reapropriação e de emancipação (Habermas,1976) de um homem sempre em luta contra a ameaça de tornar-se doente, sempre em luta para conservar sua identidade na normalidade, sempre em busca de ocasiões para trazer uma contribuição original à construção social,num mundo em movimento que,tendo em confiança a clinica,parece tão essencial quanto aquele que anima sua demanda de amor.O homem é um sujeito que é um projeto inacabado,em eterna construção amorosa.


Liberdade-Fraternidade-Igualdade!Utopia, sonho ou realidade?


 


 


 


 


 


*Marcos Bueno, psicólogo, especialista em administração pela FGV e pela UFU, mestre em engenharia de produção pela UFSC e doutorando em psicologia pela UCG,professor no CESUC de Catalão-GO.


 


 


 


 


 


 

Afetividade

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AFETIVIDADE




Um Encontro de dois: olhos nos olhos, face a face. E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e coloca-los-ei no lugar dos meus; E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus; Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus. (J.L.Moreno,criador do Psicodrama)


 


         


Um olhar sobre a afetividade nas relações amorosas: cuidar de si, cuidar do outro.


Por_marcos bueno*


 




Afetividade é o mundo dos sentimentos,  positivos ou negativos que os seres humanos experimentam a respeito de si ou de outras pessoas. Há pessoas que reprimem seus sentimentos em relação a si mesmos ou em relação aos outros, fecham-se para o mundo do encontro humano, essa dimensão mágica com a vida.


 


Estamos vivendo num tempo em que nos tornamos apressados, apaixonados pelo ego, hiper-ativos, consumistas compulsivos, ilhados dentro de nós mesmos, ansiosos, a experiência de vivenciarmos nossa humanidade é colocada em segundo plano, sacudida pelo cotidiano de uma cultura que parece nos envolver num afeto virtual onde a regra é ficar apenas um momento, numa noite anestesiada. A sociedade está doente (normótica) e desta forma leva todos juntos nessa viagem, cujo roteiro é uma fantasia doentia e de retorno difícil.


 


Neste contexto, a imagem e o belo são privilegiados, o bom se conflita e se pergunta como tem sobrevivido o amor, a afetividade?É comum encontrar pessoas desiludidas da experiência de amar com beleza, profundidade e permanência. De fato, num contexto em que traição, separação e conflitos amorosos são muito mais freqüentes, tornam-se as regras, perguntamos que relacionamentos apaixonadamente felizes e duradouros queremos. A desconfiança sobre o amor, a afetividade justifica-se, inclusive a atroz desconfiança dos ciumentos, que no fundo sofrem a dor psicológica do medo da perda e do apego doentio na posse do outro.


 


 Mas será que estamos indo à essência da questão quando queremos compreender os problemas amorosos de nosso tempo? Afinal, quem são estas pessoas que se relacionam amorosamente e sentem ciúme no mundo atual?Que mundo temos?Que mundo queremos? Afinal somos escravos do desejo,do prazer hedonista e da insatisfação permanente.Por isso sofremos.


 


O transtorno afetivo mais conhecido é a Depressão, doença que afeta boa parcela da humanidade, com quadro clínico conhecido, de tristeza, sem ânimo, sem vontades,  isolando-se, etc. Há um outro problema afetivo mais freqüente. Os quadros ansiosos do tipo Pânico, Fobias, Somatizações ou a  Ansiedade Generalizada também têm como fundo alterações da Afetividade. Para entender a Afetividade é preciso compreender especialmente os Sentimentos: como fomos educados para sentir, para expressar nossos sentimentos, o medo e a coragem de expor os sentimentos? O medo de amar e de permitir ser amados, além das fronteiras do medo, do poder, do pecado.


 


Durante toda nossa vida, os fatos ou acontecimentos vividos por nós serão nossas experiências de vida e passarão a fazer parte de nossa consciência, do encontro e contato com o mundo real e imaginário. Teremos lembranças e sentimentos, experiências de vida e também se elas foram agradáveis ou não, prazerosas ou não. Se forem prazerosas as repetiremos, se forem desagradáveis as evitaremos. Afinal, somos frutos do meio ambiente, somos seres sociais por natureza.


 


Pela afetividade descobrimos o mundo e pela relação com o mundo descobrimos a nós mesmos. Nosso caminho em direção a nós mesmos.


 


A vocação sublime de quem caminha é chegar.


Mas há o mistério das trajetórias e os desacertos dos passos.


Enfrentá-los é belo-belíssimo! – para quem deseja, no caminho, inventar outras rotas.


E quando se anda com fascínio pode descobrir ‘a dor e a delicia de ser o que é”: um estrangeiro de gente. (Eguimar F.Chaveiro)


 


Marcos Bueno é Psicólogo, Psicoterapeuta e professor no Cesuc, mbueno@cesuc.br



 

O medo da intimidade, o medo do encontro

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O medo da intimidade, o medo do encontro


Marcos Bueno*







“Creio que a melhor dádiva que concebo receber de alguém é:
Ser vista, ser ouvida, ser compreendida, ser reconhecida.
A maior dádiva que posso oferecer é:
Ver, ouvir, compreender e reconhecer outro ser humano.
Quando isso acontece, sinto que houve contato entre nós”.
(Virgínia Satir – Estabelecendo Contato)


Resumo: A proposta do artigo é a de nos levar a uma reflexão critica a cerca do medo do encontro autêntico, despir-se de modelos autoritários, castradores e cuja única verdade ao longo de séculos tem sido a do sujeito que usa e abusa do direito de ensinar e de acolher no espaço familiar ou do seio social.


Palavras-chave: o medo, a intimidade, o encontro, educação integral.


Artigo:
O genial psicólogo e educador Emílio Mira y Lopes falava em suas conferências que o maior inimigo do homem é o medo.O medo nos faz distanciarmos de nós mesmos.Intimidade significa encontro consigo e com o outro. O ser humano no dizer de Martin Buber o grande filosofo da fenomenologia, explicou de forma mágica a relação humana a luz do fenômeno, do encontro autêntico, afirmava que as pessoas vivem em relação, em contato, em encontro.
Para o terapeuta Osvaldo Shimoda intimidade é essa liberdade de ser o que se é, sem “máscaras”, sem “disfarce”, sem manipular as pessoas ou ser manipulada por meio de jogos de sedução ou poder. É a expressão livre e prazenteira do que eu penso e sinto, sem reservas ou ressalvas.


 


Virginia Satir uma das grandes psicoterapeutas de família e que contribuiu com a criação da Programação Neurolinguistica na década de 70 cuja proposta era conhecer os mistérios da comunicação humana, cita as questões essenciais que todo ser humano necessita para viver e deseja para ter dignidade existencial: ser percebida, compreendida e reconhecida. Uma boa parte das pessoas mal percebe a si próprias, muito menos o outro, da mesma forma também não nos preocupa em nos compreender as nossas necessidades e desejos.Quando compreendemos as razões, as emoções tornam-se inteligentes e é possível conversarmos com nosso coração, com nossas paixões indomáveis. Reconhecimento, esta é infelizmente uma das misérias humanas, pois fazemos uma economia brutal em reconhecermos até mesmo as pequenas virtudes, uma pequena ação, um pequeno gesto amigo de uma pessoa próxima ou mais difícil ainda às pessoas aparentemente estranhas a nós.



Por que somos assim, tão econômicos com a percepção, a compreensão, o reconhecimento o amor. Tudo leva a crer segundo os estudiosos que são frutos de uma cultura e educação antiga, cristalizada que se mantém, que se acomoda, que se transfere de geração para geração.Por que iremos mudar aquilo que recebemos de graça sem esforço, mesmos que seja para nos escravizar?



Izabel Telles em seu livro feche os olhos e veja cita “Aprendi que a gente nasce livre, original, criativo, amoroso. Mas não independente. E, devido à nossa dependência dos adultos, somos manipulados e moldados por eles de acordo com o sistema de crenças e de padrões que eles também receberam dos seus pais, da religião, da mídia, do mundo enfim. E ai de quem tenta escapar desse sistema. Perde o carinho dos pais, o respeito dos amigos, quando não ganha um castigo. Desde criança aprendemos que a liberdade tem um preço e que ser diferente dos outros pode nos custar o isolamento. Felizmente, chega o dia em que o ser humano sente saudades do seu eu verdadeiro. O encontro solitário consegue mesmo, o seu próprio deserto. Ninguém sai de um padrão pelo discurso. É preciso mexer com a emoção, tocar os limites do corpo, limpar de cada célula a memória daquele comportamento”.



A intimidade pode ocorrer numa amizade profunda entre pais e filhos, marido e mulher, irmãos, companheiros de trabalho ou até em encontros ocasionais onde há reciprocidade de abertura e honestidade entre as pessoas. John Powell cita que quando me desnudo para você, não me faça sentir vergonha.Isso é intimidade autêntica.Embora a experiência da intimidade seja a forma mais rica de relacionamento entre as pessoas, é, por outro lado, a mais temida forma de relacionamento.



Homens e mulheres na sua maioria não sabem como ser íntimos, não têm amizades intimas. Vejo mulheres que na frente de suas amigas, agem de uma forma e na frente dos maridos são outras. Não se permitem serem verdadeiras.O encontro intimo, é um encontro com o autêntico, é o que somos, não o que desejamos.



Lembro-me de um grande amigo que quando eu ia a sua casa, eu ficava surpreso com a qualidade afetiva do relacionamento de sua família, a amorosidade entre eles e com os amigos, os convidados que por lá apareciam, era realmente uma cena bonita de se ver, perceber e sentir. O carinho dos pais com os filhos e estes retribuíam da mesma forma. Eu já me perguntava naquela ocasião, então estudante de psicologia, por que todo mundo não era daquele jeito de ser, inclusive a minha própria família e por que os cursos de psicologia,pedagogia e medicina não ensinavam a se relacionar daquela forma tão humana.



Por que muitas pessoas agem de uma forma com os seus familiares e com outros atuam bem diferentes. É comum nas relações amorosas e familiares a pessoa conversar assuntos triviais do cotidiano e não expressarem sentimentos de calor, ternura e proximidade ou mesmo discutirem seus conflitos, anseios e preocupações pessoais. Eu costumo perguntar aos meus clientes e alunos: “Você conhece verdadeiramente o seu filho (a), a sua esposa, o seu marido, os seus pais, os seus irmãos? E eles, o conhecem verdadeiramente?” Você se permite ser conhecido autenticamente?
A maioria pensa, mas não diz, alguns poucos arriscam que vivem na rotina e que se sente “presa”, “amarrada” “acostumada” nesses relacionamentos e conversa só o essencial.Será que isso é uma exceção ou é quase um padrão universal?



Muitos vivem num verdadeiro “torpor” mental, emocional e espiritual e não percebem que estão “anestesiados” e condicionados emocionalmente como acontece toda noite na frente da telinha das telenovelas que vão aos condicionando em doses homeopáticas todas as noites e o pior é que não percebemos o que estão fazendo com a gente.


 


As pessoas atualmente são incapazes de sentarem à beira de um rio e sentirem o vento no rosto. Diante de um pôr de sol não se permitem se extasiar. Não percebem “as mensagens” do seu próprio corpo, não sabem quando estão tensos, relaxados, abertos ou fechados. Corpo e alma estão dissociados e fragmentados. Seus corpos agem de uma forma enquanto suas palavras dizem o contrário. Dizem, por exemplo, palavras cheias de raiva com um sorriso nos lábios. Fazem amor com alguém pensando nas contas a pagar, no carro que querem trocar, na roupa que querem comprar, etc.


Como resultado da qualidade de vida: levam uma vida limitada, sem paixão e nem compaixão, despida de encanto, espontaneidade e alegria, sem sentido existencial como dizia o terapeuta da esperança Viktor Frankl.



O Dr. Eric Berne, psiquiatra canadense, criador da Análise Transacional que foi recusado pelos psicanalistas de sua época, dizia: “O homem nasce livre, mas a primeira coisa que aprende é agir conforme o que ensinam e passa o resto da vida fazendo isso”. Significa ter a coragem de mudar o padrão, buscar algo melhor para si. Quando fazemos algo de bom para nós, normalmente fazemos para o mundo. Quando nós mudamos o mundo muda.A referência do mundo externo está dentro de nosso mundo interno.



Daí a primeira escravização ser feita pelos pais. O psicoterapeuta Ângelo Gaiarsa adoraria esse tema, pois tanta Gaiarsa quanto Ronald Laing abordaram muito a influência familiar na saúde dos indivíduos. Os pais muitas vezes de forma inconsciente nos obrigam a seguir as suas instruções para sempre, conservando somente em alguns casos o direito de escolher seus próprios métodos e consola-se com uma ilusão de autonomia.Os pais dão o melhor que eles tem, cabe a cada um transformar o que recebeu em algo melhor. É uma posição muito cômoda e mesquinha só criticar os pais, a família. O que fizemos para nos tornarmos livres, mudar para melhor, esta é a questão essencial.



Libertar-se, portanto, do condicionamento familiar, educacional, religioso, moral, cultural e político e se tornar um livre pensador – assumindo e aceitando a responsabilidade de suas próprias escolhas, livrando-se da compulsão de viver de forma programada e rígida – seria o desejável. É necessário perder o medo do encontro com a maturidade.



Maturidade humana é percebermos o que somos e mudarmos para melhor. Como diz o teólogo Leonardo Boff,somos seres desejantes, insaciáveis e queremos muito e tudo, por isso sofremos. Precisamos lapidar nossa alma.Mahatma Gandhi (1869 – 1948) líder pacifista indiano e principal personalidade da independência da Índia foi chamado pelos hindus de Mahatma significa “grande alma” nos deixou um grande legado sobre a compreensão do comportamento humano. Formou-se em direito em Londres e, em 1891, voltou para a Índia a fim de praticar a advocacia e iniciar a libertação de seu povo do jugo britânico. Churchill talvez não percebendo a grandeza de Gandhi costumava chamá-lo de “faquir despido”. Einstein era um de seus maiores admiradores. Martin Luther King inspirou-se nele. Mahatma Gandhi é um dos grandes homens do século XX que preconizava três palavras: A Moral – A Verdade – A Vida.Gandhi citava “Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando”. A não-violência (Ahimsa) é o meio. A Verdade (Satyagraha), o fim.



Afinal temos um prodigioso cérebro “Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade” Charles Chaplin.



Precisamos ter intimidade com a nossa vida e fazê-la um meio de chegarmos a autorealização como defendia um dos maiores psicólogos do século XX que foi Abraham Harold Maslow, quando no nos anos 60 disse que a psicologia estava caminhando em direção errada. Praticamente desde o inicio, a maior parte do questionamento psicológico explorou e tentou entender a natureza patológica emocional, comportamental e psicológica dos seres humanos. Maslow disse que, em vez disso, deveríamos estar estudando os melhores e mais saudáveis espécimes humanos, para aprender o que de melhor desejamos saber sobre as pessoas, cita William O’Hanlon em seu livro Em busca de soluções.


Finalizando com um mestre da intimidade humana Drummond “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”.



A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.






Bibliografia consultada
O’HANLON, William. Em busca de soluções.São Paulo, Psy II, 2000,
GAIARSA, José Ângelo. Amores perfeitos. Ed. Gente.São Paulo, 1994.
TELLES, Izabel. Feche os olhos e veja.Ed. Agora, 2003.
ROGERS, Carl R. Sobre o poder pessoal.Livraria Martins Fontes editora, São Paulo, 1978.
FREIRE, Paulo.Educação como prática da liberdade. Ed.Paz e terra, São Paulo,1978.


Autor: Marcos Bueno


Currículo :P sicólogo de orientação gestáltica e ericksoniana, fundador do NUP-GT de Uberlândia/MG, professor universitário, Mestre em Gestão da Inovação Tecnológica e Ambiental pelo PPGEP/UFSC, Especialista em Administração pela FGV e UFU/Université du Quebèc a Trois Rivières e formação em Psicologia pela UnG, ex-gerente de RH e Qualidade, fazendo formação em psicoterapia e hipnose ericksoniana no Instituto Milton Erickson de BH entidade filiada a The Milton H. Erickson Foundation, Inc., de Phoenix, AZ, EUA, foi um dos membros fundadores Núcleo de Gestalt-Terapia de Uberlândia e do Instituto Milton Erickson de Uberlândia e membro da Academia Catalana de Letras.


 


 

Um olhar sobre a afetividade nas relações amorosas: cuidar de si, cuidar do outro

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Um olhar sobre a afetividade nas relações amorosas: cuidar de si, cuidar do outro.


 


Afetividade é o mundo dos sentimentos, positivos ou negativos que os seres humanos experimentam a respeito de si ou de outras pessoas. Há pessoas que reprimem seus sentimentos em relação a si mesmos ou em relação aos outros, fecham-se para o mundo do encontro humano, essa dimensão mágica com a vida.


Estamos vivendo num tempo em que nos tornamos apressados, apaixonados pelo ego, hiper-ativos, consumistas compulsivos, ilhados dentro de nós mesmos, ansiosos, a experiência de vivenciarmos nossa humanidade é colocada em segundo plano, sacudida pelo cotidiano de uma cultura que parece nos envolver num afeto virtual onde a regra é ficar apenas um momento, numa noite anestesiada. A sociedade está doente (normótica) e desta forma leva todos juntos nessa viagem, cujo roteiro é uma fantasia doentia e de retorno difícil.



Neste contexto, a imagem e o belo são privilegiados, o bom se conflita e se pergunta como tem sobrevivido o amor, a afetividade?É comum encontrar pessoas desiludidas da experiência de amar com beleza, profundidade e permanência. De fato, num contexto em que traição, separação e conflitos amorosos são muito mais freqüentes, tornam-se as regras, perguntamos que relacionamentos apaixonadamente felizes e duradouros queremos. A desconfiança sobre o amor, a afetividade justifica-se, inclusive a atroz desconfiança dos ciumentos, que no fundo sofrem a dor psicológica do medo da perda e do apego doentio na posse do outro.



Mas será que estamos indo à essência da questão quando queremos compreender os problemas amorosos de nosso tempo? Afinal, quem são estas pessoas que se relacionam amorosamente e sentem ciúme no mundo atual?Que mundo temos?Que mundo queremos? Afinal somos escravos do desejo,do prazer hedonista e da insatisfação permanente.Por isso sofremos.



O transtorno afetivo mais conhecido é a Depressão, doença que afeta boa parcela da humanidade, com quadro clínico conhecido, de tristeza, sem ânimo, sem vontades, isolando-se, etc. Há um outro problema afetivo mais freqüente. Os quadros ansiosos do tipo Pânico, Fobias, Somatizações ou a  Ansiedade Generalizada também têm como fundo alterações da Afetividade. Para entender a Afetividade é preciso compreender especialmente os Sentimentos: como fomos educados para sentir, para expressar nossos sentimentos, o medo e a coragem de expor os sentimentos? O medo de amar e de permitir ser amados, além das fronteiras do medo, do poder, do pecado.



Durante toda nossa vida, os fatos ou acontecimentos vividos por nós serão nossas experiências de vida e passarão a fazer parte de nossa consciência, do encontro e contato com o mundo real e imaginário. Teremos lembranças e sentimentos, experiências de vida e também se elas foram agradáveis ou não, prazerosas ou não.Se forem prazerosas as repetiremos, se forem desagradáveis as evitaremos.Afinal, somos frutos do meio ambiente, somos seres sociais por natureza.


Pela afetividade descobrimos o mundo e pela relação com o mundo descobrimos a nós mesmos. Nosso caminho em direção a nós mesmos.


A vocação sublime de quem caminha é chegar.


Mas há o mistério das trajetórias e os desacertos dos passos.


Enfrentá-los é belo-belíssimo! – para quem deseja, no caminho, inventar outras rotas.


E quando se anda com fascínio pode descobrir ‘a dor e a delicia de ser o que é”: um estrangeiro de gente. (Eguimar F.Chaveiro)


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Marcos Bueno é Psicólogo, Psicoterapeuta e professor no Cesuc, mbueno@cesuc.br .


 

Por Que no Carnaval as Pessoas Soltam as Fantasias Nas Fantasias?

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1.4- Por Que no Carnaval as Pessoas Soltam as Fantasias Nas Fantasias?


A proposta do artigo é de permitir uma reflexão sobre a necessidade humana de elaborar e liberar fantasias no carnaval como uma catarse provocada pela própria sociedade normótica, isto é por uma sociedade que se tornou doente de si mesma, de uma forma narcisica e castradora do crescimento humano.


Autor: Marcos Bueno (Brasil)               


 POR QUE NO CARNAVAL AS PESSOAS SOLTAM AS FANTASIAS NAS FANTASIAS?



“Tenho em mim todos os sonhos do mundo” (FERNANDO PESSOA)


Resumo: A proposta do artigo é de permitir uma reflexão sobre a necessidade humana de elaborar e liberar fantasias no carnaval como uma catarse provocada pela própria sociedade normótica, isto é por uma sociedade que se tornou doente de si mesma, de uma forma narcisica e castradora do crescimento humano.


Palavras Chaves: Inconsciente coletivo – arquétipos – fantasias – carnaval.


Artigo:


O carnaval é um grande palco global e transcultural onde as pessoas se permitem liberar suas fantasias nas fantasias, desejos e necessidades sem passarem pelo crivo da censura oficial, moral, social ou religiosa.


“Carnaval, fantasias, máscaras, muita euforia


Com o bloco da alegria, liberando emoções,


solto as amarras da vida entrando nesta folia no meio da multidão


Quero pular, suar, amar, cantar, cansar, liberdade total…


Esquecer dos desenganos que entristeceram minha vida…


E, depois de tanto sambar, me soltando em plena avenida


queimo na quarta feira de cinzas as máculas do meu coração.”


 


NELI NETO


A fantasia é criar roupagens aparentemente absurdas, mas que o desejo dá vida.


A fantasia é o arquiteto da psicologia profunda, onde dá formas aparentemente absurdas ou incompreensíveis para satisfazer os desejos.O mundo interno do homem é um mundo rico em fantasias e desejos.As antigas tradições sapienciais sempre representaram o mundo interno do ser humano através da dança, dos cultos sagrados, das pinturas, da escrita, das iniciações espirituais, em fim das mais diversas manifestações culturais.As fantasias estão no campo do simbólico.


Se Carl Gustav Jung estivesse vivo provavelmente ele se deliciaria com o carnaval, apesar de ter sido educado numa família protestante tradicional.Poderia ver a simbologia do inconsciente coletivo e os arquétipos soltos, brincando, mascarados se soltando livres, leves e soltos.


No Brasil a psiquiatra Nise da Silveira, discípula de Jung continuou com sua genialidade o trabalho simbólico de Jung com a criação do museu do Inconsciente no Rio de Janeiro.


O século vinte teve muitos acontecimentos e descobertas positivas, porém teve também o palco da loucura como diriam os antipsiquiatras Ronald Laing, Franco Basaglia, Thomas Zaz, David Cooper entre outros.


É no Arquétipo conceito criado por Jung – palavra grega que significa tipo ou modelo primordial – que os símbolos têm a sua fonte e raiz.
Por estarem tão profundamente radicados no nível coletivo do inconsciente humano, estes arquétipos pouco mudam com o passar dos tempos e com a evolução das culturas. Contudo, não são estáticos e muito menos estagnados.


Estes arquétipos (fonte de todos os símbolos) são, portanto, as “palavras” da linguagem simbólica. É comum a todos os seres humanos, independentemente da suas raízes culturais, religiosas ou étnicas.


O carnaval escancara no palco real da vida, as fantasias das mais loucas e absurdas as mais saudáveis, criativas e necessárias. Através das máscaras mais incríveis podemos retirar por três dias nossas máscaras sociais coladas com superbond não só no rosto, mas na alma.


Frustração e ansiedade geram fantasia


Como estamos vivendo o século da ansiedade, automaticamente estamos vivendo sob a égide da fantasia.Para a psicoterapeuta Mônica Levi, vivemos em um mundo onde a fantasia é incrementada e reforçada, muitas vezes, pelos nossos pais, pela televisão, novelas, cinemas, propaganda etc. E a questão é até que ponto estas fantasias podem ser favoráveis ou não às nossas vidas.


A fantasia é a arte do imaginário, uma imaginação, um devaneio, um sonho acordado. Fantasia é um dos mecanismos de defesa do ego e, portanto, aparece com freqüência nos estados de frustração.Para reduzir a frustração ou crio uma imaginação ou crio um bloqueio de evitação sobre algo que possa me deixar frustrado.Muitas pessoas aparentam ser fria, mas na realidade estão evitando as emoções causadas por possíveis frustrações.


O mecanismo de defesa é um processo mental inconsciente que possibilita ao ego reduzir a ansiedade ou de estresse. São mecanismos de defesa à racionalização, a projeção, conversão, fantasia, generalização, repressão etc.


É normal ter fantasias? É. Você pode fantasiar o que desejar, consciente que é uma criação sua. Você pode entrar e sair dela quando quiser e não é obrigado a realizá-la. A questão quanto à normalidade é uma questão de envolvimento: o quanto à fantasia está preenchendo sua vida ao invés da realidade.A realidade está focada na razão e a fantasia está na emoção.


A fantasia se torna um problema quando ela é pode estar dependente de uma ilusão e a ilusão é o engano dos sentidos ou da inteligência, é algo efêmero, inadequado, uma falha de leitura, interpretação de um fato e a percepção inexata de um objeto ou de dado contexto. 


Os poetas vivem suas fantasias para criar suas poesias, seus contos, suas prosas. Os pintores criam suas obras de arte a partir de suas fantasias projetadas na tela.Os compositores, cantores e músicos projetam na sonoridade, no ritmo, na melodia, na harmonia as fantasias da musica que nos encantam.O arquiteto permite sua mente criar nas linhas da geometria mental os traços de sua fantasia e projetam no papel obras de arte como de Niemayer, Lucio Costa, Rui Otake e tantos outros artistas da arquitetura.


“O homem é o seu livro de estudo,


Ele precisa apenas ir virando


As páginas deste livro e


Descobrir o Autor.”


JEAN-YVES LELOUP


Fantasias do carnaval inspiram as estatísticas da economia.


Tempo de Carnaval é tempo de fantasias, inclusive estatísticas. Jornais e revistas costumam fazer suas previsões e seus balanços sobre o evento, publicando números cuja elaboração é fruto de projeções baseadas em dados estimados, divulgados à imprensa por entidade que fazem parte do trade turístico.As projeções para o carnaval de 2005 são na geração de mais de 770 empregos diretos e indiretos mil e faturamento de mais de 1 bilhão de reais.A industria do carnaval é muito significativa para o Brasil, para os empresários do setor e os que assistem e para os fuliões que brincam o carnaval.


Nada mal um carnaval para escaparmos um pouco da pressão do dia-a-dia. Somos uma sociedade muito rígida, crítica e normótica: uma patologia da normalidade social.


Vivemos segundo as expectativas dos grupos sociais. Aprendemos a ser conforme o os outros nos querem ver. Desde crianças nos ensinam: em casa, na escola, na igreja, no trabalho, na política.Na Roma antiga, faziam-se festas populares. Nessas festas, também os nobres participavam. Para não serem reconhecidos, mascaravam-se. Nada diferente de hoje, continuam usando máscaras moldadas nos discursos políticos, religiosos, educacionais, empresariais e sociais.A pressão coletiva nos atinge fortemente, muitos ficam doentes do corpo, da mente ou do espírito e a saída para muitos é “soltar a franga” do ego. Nesse momento uma química-energia, age sobre o consciente deixando-o mais “grogue”, frouxo,entorpecido, sem a censura do superego (a sociedade), segundo Freud. Movimentos, atitudes, palavras, coreografias, refrões, que de sã consciência, em outros momentos ou outros lugares, acharíamos inconvenientes.Para os psicoterapeutas e sociólogos ocorre uma “catarse”, ou seja: a liberação de emoções que faz nos sentirmos bem.


Liberamos nossas fantasias, exibicionismos, e procuramos externar as emoções: medos, raivas e desejos.A psicologia explica em recalques: fatos e situações reprimidas, que fazem muito mal a saúde. É necessário e saudável livrar-nos desses problemas, traumas, angústias. O carnaval pode ser útil para isso. É uma poderosa válvula de escape.


A classe média e a classe operária (que continuam escravas do trabalho), e a classe pobre (que sobrevive de fantasias dos decretos governamentais), precisam liberar suas tensões, precisam realizar seus sonhos através de suas fantasias. Os ricos geralmente viajam, e em grandes festas, com tudo o que sonham, vivem sob menor pressões e maiores loucuras.


O carnaval torna-se espelho da realidade social, reflete duplamente e de forma alegórica a imagem invertida e contraditória da sociedade ao som dos tambores para produzir um transe utópico.


Inverte-se o dia pela noite; pobre vira rainha; pobre descamisado veste luxo, poder, glamour. Travestis, colombinas, topless, insinuações de sexo explícito.A fantasia acaba transitando na sedução, no erótico.


Vivemos sob autoritarismo muitas das vezes sutilmente camuflado (de governo, família, escola, patrão, igreja), uma sociedade de exclusão, excesso de leis que não funcionam, regras ineficazes de serem cumpridas, desejos inatingíveis, direitos não concedidos, doenças, contas a pagar, balas perdidas, queremos momentos de alívio, de esquecimento, de descontração, chega de discursos absurdamente demagógicos. Dessa forma através da liberação utópica das fantasias suportamos mais um ano e desejamos um feliz ano novo a cada ano.Com a perda dos sentidos, o carnaval se torna positivo. É uma possibilidade de aliviar o estresse, a tensão, pessoal e social, no extravasar nossos problemas. Não é por bondade que os governos e grandes organizações patrocinam este neurótico“circo e pão” para o povo, como faziam os romanos a 2000 anos.


O Carnaval é comemorada de forma diferente em vários países do mundo. O Carnaval constitui uma forma de expressão cultural em constante modificação, que nos liga ao nosso passado, ao presente e nos projeta para o futuro.


O carnaval é um estado da arte onde as tradições milenares são projetadas pela criatividade, poder e imaginação, aliadas ao poder econômico, a sedução e ao desejo do homem moderno que se transfigurou de homo sapiens para homo-demens-demens.


Quanto à origem e significado da palavra Carnaval, tem duas versões.A primeira atribui à palavra Carnaval uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão, brincadeiras e malícia a que a associamos hoje em dia. “Carnaval” teria tido origem no latim carnevale (carne+vale = carne+adeus), e seria a designação da “Terça-Feira Gorda” o último dia do calendário cristão em que é permitido comer carne, uma vez que, no dia seguinte, inicia-se a Quaresma. Já a segunda versão é peremptória em afirmar que a palavra Carnaval vem de Carrus Navalis, por influência das festas em honra de Dionísio, onde um carro, com um enorme tonel distribuía vinho ao povo na Roma antiga.Parece que hoje essa é a versão mais próxima da nossa realidade brasileira.Com raras exceções onde ainda se brinca o carnaval de forma saudável, ingênua e terapêutica.


As celebrações carnavalescas são até mais antigas do que a própria religião cristã, tendo sido alvo de diferentes manifestações ao longo da história. No fundo, todos os carnavais são reminiscências das festas dionisíacas da Grécia Antiga, dos bacanais de Roma e dos bailes de máscaras do Renascimento.


Carnaval começou no Brasil trazido de Portugal em 1723. No século XIX havia Zés Pereiras com zabumbas e tambores que percorriam as ruas da cidade, animando a festa.


Dos clubes que organizavam os festejos nasceram às tradições que hoje apresentam o Carnaval brasileiro. Os corsos e os desfiles datam de 1900, mais ou menos, e eram as principais atrações, que permanece até hoje com incorporação da tecnologia, do negócio lucrativo e ilegal.


Os cordões e blocos originaram as Escolas de Samba, que conhecemos. A primeira foi fundada em 1928 e se chamava Deixa Falar.


Tanto sucessos tinham os desfiles, que se arranjaram locais especiais: a «Passarela do Samba» era um deles. Hoje existe o «Sambódromo» onde as Escolas de Samba disputam aguerridamente a vitória no Carnaval.


No Brasil é uma festa tão importante que nesses dias mal se come e dorme. Dança-se, dança-se muito, quase até cair.O Brasil se torna o palco do mundo.


É o momento em que os mais pobres podem brilhar e a festa é tão especial que as escolas de samba começam a preparar o Carnaval do ano seguinte logo na quarta-feira de Cinzas…


“É carnaval…


Vou mergulhar nessa ilusão


Soltar meu bicho sideral


Fazer amor na diagonal


Dançar na chuva de verão


Vestir brilhante fantasia


Quero brincar no  carnaval.”


JOSÉ ROBERTO PINHEIRO


Muitos pesquisadores sociais afirmam que o carnaval do Brasil é a maior festa mundial e organizada de forma invejável pelas Escolas de Samba e entidades ligadas ao turismo do país com milhões de clientes, milhares de colaboradores, fornecedores e uma organização com precisão invejável.


Independentemente da sensação que o Carnaval causa em cada um de nós, é sempre curioso tentar compreender o fenômeno: o que é, o que simboliza e como é comemorado um pouco por todo o mundo.


O período festivo de folia e rituais pagãos que precede o início do tempo de jejum e de abstinência da Quaresma no calendário religioso ocidental.            


Do ponto de vista sagrado e antropológico, representa um período de renovação, que traz consigo um estado temporário de “desordem”, em que a única autoridade é o rei ou a rainha do Carnaval.


Para o Jornalista Luís Nassif o Carnaval mais famoso do mundo é o do Rio de Janeiro, que é celebrado há mais de 130 anos. Muitas pessoas interrogam-se: porque é que um país tão economicamente desigual como o Brasil gasta tanto dinheiro nas comemorações anuais do Carnaval? Gilberto Amado, escritor e diplomata brasileiro esclareceu a importância desta época para o brasileiro: “O Carnaval entre nós deixa de ser a festa pagã para ser muito mais do que tudo isto: uma tradição venerável, uma festividade adorada, um hábito da sociedade que tem a significação de um desafogo na existência árida do brasileiro, que vive sem comodidade, sem dinheiro, sem orgulho, sem heroísmo, sem coisa nenhuma”.


“Fantasia é poesia,


É ideologia,


É emoção,


É energia,


É o veiculo por onde transita o sonho.


Sem a fantasia o sonho nunca se tornaria à realidade.”


MARCOS BUENO


Pode brincar o carnaval, aquele que sabe transformar tudo em brincadeira saudável.Boa folia a todos e cuide com carinho de suas fantasias!    


Bibliografia consultada:


CÂMARA, F. P. Vida e Obra de Nise da Silveira, Psiquiatria On-Line Brazil (7), setembro, 2002 (http://www.polbr.med.br/arquivo/wal0902.htm, acessada em 26.02.04).


FIERZ, H. K. Psiquiatria Junguiana (Jungian Psychiatry), Ed. Paulus, São Paulo, 1997.


LEVI, Mônica.Membro Didata Clínico da UNAT-BR, São Paulo / SP.Artigo publicado nos anais do Congresso Brasileiro de  A.T, B.Horizonte/97 e em disquete dos artigos selecionados da UNAT-BR.


ROBLES, Teresa. A magia de nossos disfarces. Editorial Diamante. Belo Horizonte, 2001.


SILVEIRA, N. Imagens do Inconsciente, Ed. Alhambra, Rio de Janeiro, 1981.


Autor: Marcos Bueno


Currículo:Psicólogo de orientação gestáltica e ericksoniana, professor universitário.Mestre em Gestão da Inovação Tecnológica e Ambiental pelo PPGEP/UFSC, Especialista em Administração pela FGV e UFU/UQTR,Psicologia pela UnG,membro do Instituto Milton H.Erickson do Triângulo Mineiro e da Academia Catalana de Letras – ACL.


E-mail: mblbueno@brturbo.com

Sobre a vida, o amor e a solidão

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“São os sentimentos e as atitudes que promovem a ajuda, quando expressos, e não as opiniões ou os julgamentos sobre outra pessoa”. Carl Rogers


Resumo: O texto foca três palavras essenciais para o ser humano à vida, o amor e a solidão.Sem vida não há o ser, sem amor a vida torna-se apenas um lamento amargo existencial e sem compreender a solidão como uma necessidade de encontro silencioso à vida perde seu sentido.


 


Palavras-chave: vida, amor, solidão e existência.


 


Artigo:


O ser humano vive a ânsia da vida. Num momento sonha em viver ansiosamente no presente como se fosse perdê-lo.Em outros momentos é escravo do desejo do futuro e esquece que não tem como garantir o amanha, a não ser esperá-lo pacientemente, serenamente.


Estamos vivendo uma crise existencial que se repete, entre a ansiedade motivada pelo medo, insegurança e cobranças de todo tipo e por um sentimento coletivo de vazio, de solidão, sentir-se só no meio da multidão.


Jean-Yves Leloup diz que a crise é como a morte da lagarta e o nascimento da crisálida e da borboleta.É preciso que a lagarta morra para nascer à borboleta em toda sua formosura.Não devemos apressar ou facilitar o nascimento da borboleta, pois se assim fizermos ela nascerá fraca e não conseguirá voar e sobreviver.Tudo em nossa vida e na natureza há um sentido sábio, é preciso que passemos a ver com outros olhos aquilo que aparentemente não estamos conseguindo ver devido aos condicionamentos provocados pela normose.O psicólogo e antropólogo Roberto Crema vice-reitor da Unipaz diz que a doença muitas vezes é como um fax, ou um e-mail ou uma carta, só que não abrimos, não lemos e muitas vezes jogamos no lixo sem interpretá-la.


Tudo na vida tem uma razão de ser, uma lógica, um motivo, nem sempre percebemos.Isso é o óbvio, o gênio percebe o óbvio e consegue produzir coisas fantásticas, enquanto que o neurótico não percebe como dizia Perls o pai da gestalt-terapia.A doença é a manifestação do desequilibro, quando o ser humano está em equilíbrio ele está saudável.A doença é um caminho, não é um problema.


O ser humano necessita de um cuidado especial, diferente das máquinas, dos equipamentos tecnológicos, do capital, etc. Leloup diz que é preciso cuidar do ser humano em sua globalidade, como na gestalt-terapia, como um todo, uma boa configuração, mesmo quando são tratados apenas os dentes.


O doente é freqüentemente uma pessoa que se fechou num único nível de interpretação simbólica.Os Terapeutas terão de abrir, sem cessar, esta interpretação, para evitar a identificação. É necessário uma resignificação do percebido.Essa perspectiva Leloup chama de psicologia da profundeza ou antropologia da vastidão.Dos medos do self e do eu ao mergulho no ser.O ser que sofre o chamamento da lucidez, do encontro com a solidão que provoca um movimento da consciência que deseja se libertar das amarras dos condicionamentos provocados por uma sociedade doente e carente.


O ser humano na cosmovisão de Leloup é como no complexo abordado no livro sagrado de Jonas que em hebreu significa pomba. A pomba das asas aparadas. É o conflito do desejo de voar com o medo de tirar os pés do chão. Leloup aborda de forma perfeita o arquétipico de Jonas que dormindo ele sonha com o Senhor que diz: Jonas desperta, levanta e vá a Ninive levar minha palavra a aquele povo que vive na violência.Jonas acorda, mas foge, e não vai a Ninive enfrentar os inimigos, prefere ir para Tarsis uma cidade turística de calmaria e tranqüila na costa da Sardenha. Leloup traça um paralelo com a vida do homem moderno que continua sendo o Jonas que prefere ficar dormindo deitado, a levantar para se movimentar, que foge de sua missão pessoal e intransferível.Mas acaba pegando um barco de pesca para Tarsis e vem a tempestade e percebendo que sua atitude coloca em risco a vida dos pescadores ele se joga ao mar e a baleia o engole e passa três dias em seu ventre.O ventre da baleia é o deserto para refletir, para descobrir a fé perdida, para ir ao encontro de sua voz interna, do seu anjo, do seu mestre.Jonas desperta da normose, aceita sua missão e é despejado próximo a Ninive e cumpre sua missão.Jonas perdeu todos os seus mapas, todos os seus pontos de referência, todas as escalas, mas não perdeu a bússola, ele não perdeu sua orientação.Como diz Leloup a sua orientação para o Ser.Nossa bússola é o nosso coração.Um coração inteligente e vibra emocionalmente, mas tem o norte do intelecto racional.Não basta ter asas, é preciso saber voar, não basta ter uma bússola, é preciso saber interpretá-la.


O papel do terapeuta para Leloup é colocar o individuo em contato com sua bússola interior, que mostra o seu norte, que mostra o Ser em sua plenitude.


O mesmo medicamento, segundo a qualificação do profissional que nos receita, terá efeitos diferentes. É por isto que, na formação dos terapeutas, é importante o desenvolvimento de sua qualificação, de sua competência, mas também é muito importante o desenvolvimento de sua qualidade humana.Porque um indivíduo pode ter muitas qualificações, muitos diplomas e muito pouca qualidade e é necessário juntar as duas para que o resultado apareça(LELOUP,1997:59).


O ser humano vive um eterno conflito entre o desejo de voar e o medo de tirar os pés do chão.O medo de ser alguém que vai incomodar a muita gente e o Zé ninguém abordado na psicologia de massa do fascismo de Wilhelm Reich onde é um ilustre desconhecido.


Leonardo Boff diz que o ser humano é um ser desejante, insaciável, queremos tudo, queremos viver para sempre, somos protestantes, protestamos contra tudo. Não conseguimos silenciar e acalmar nossa mente que vive numa turbulência inesgotável, todos os dias alimentamos essa turbulência mental.


Krishnamurti educador integral diz que vivemos continuamente uma guerra contra nossa mente, que é o nosso intelecto. E para entendermos e educarmos nossa mente temos que buscar recursos fora da mente. E o maior recurso que todos temos é o amor.Mas, o que é o amor? Quando há pensamento sobre o amor, isso é o amor?O pensamento é amor? E, provavelmente só o amor pode unir as pessoas, e não o pensamento.Onde há amor, não há grupo, classe, nem nacionalidade, nem religião.Em plena guerra entre os Estados Unidos e Iraque tivemos um casal de passagem pelo Brasil, ele americano e ela iraquiana demonstrando um amor invejável.


Será o amor uma coisa da mente? Ele é uma coisa da mente quando as coisas da mente preenchem o coração.E com a maioria de nós conforme Krishnamurti cita é isso o que acontece. Preenchemos nosso coração com coisas da mente, que são opiniões, idéias, preconceitos, visões distorcidas da realidade, sensações, crenças e acabamos vivendo e amando essas coisas. O amor só pode ser vivenciado quando o pensamento não está funcionando, sereno, calmo, dando permissão ao coração para sentir o amor.Infelizmente muitos associam amar com ciúme, com ambição, posse do outro, busca desesperada pelo desejo e não há dúvida que quando essas coisas existem não há o amor presente, mas apenas um pensamento sobre o amor.


Não temos que se preocupar com amor, que vem à existência naturalmente, sem nenhum esforço no sentido de buscá-lo de encontrá-lo, ele simplesmente está dentro de cada ser humano, basta permiti-lo aflorar a superfície da consciência.O amor é a resposta para aquietar, serenar nossa mente, reduzir nossa ansiedade e entender nossa solidão, que não é algo tão ruim quanto popularmente se fala. Estar só é uma oportunidade de encontro consigo mesmo.Quando estamos sentindo solidão é por que dissociamos, nos dividimos, perdemos a integração espírito, mente, corpo e aí surge o vazio. O que temos que fazer não é buscar preencher loucamente esse vazio que está nos incomodando, mas sim entendê-lo, interpretá-lo, buscar o seu significado. As doenças são apenas mensagens do nosso espírito, de nossa mente, de nossas emoções e de nosso corpo que alguma coisa não está bem e precisamos saber o que e termos a coragem de resolver para que o equilíbrio volte. Só é possível pensar de modo correto, viver livre e com plenitude e inteligentemente, quando há um autoconhecimento cada vez mais profundo e amplo, como disse um dos maiores sábios que foi Sócrates.Precisamos aprender a resgatar o que perdemos há muito tempo, a integração plena, corpo, mente e espírito.


Para Krishnamurti o essencial para o homem, jovem ou velho, é que viva plena e integralmente, e, por conseguinte, nosso mais relevante problema é o cultivo da inteligência, que traz integração. Amar autenticamente é promover a integração.Apenas o amor e o pensar correto farão a verdadeira revolução, a revolução interior.A revolução amorosa interna é à busca da saúde, a revolução externa motivada pela ganância é cultivar a neurose e a normose social.


Milton Erickson um dos maiores psiquiatras e hipnoterapeuta do século XX afirma em seus livros que todos os recursos que precisamos para resolver nossos problemas estão dentro de nós, basta aprendermos a utilizá-los. Precisamos aprender a caminhar pela vida de forma saudável e feliz, nós merecemos. A solidão, assim como a doença pode ser um caminho amadurecido para uma vida melhor, é preciso termos a coragem de aprender com ela e não apenas rejeitá-la.


 


Bibliografia consultada:


KRISHNAMURTI, Jiddu. A educação e o significado da vida. São Paulo; Cultrix, 1985.


__________________O descobrimento do amor. São Paulo: Cultrix, 1985.


__________________Nossa luz interior. São Paulo; Agora, 2000.


__________________A mente sem medo.São Paulo, Cultrix, 1984.


__________________Sobre o amor e a solidão.São Paulo, Cultrix, 1993.


LELOUP, Jean-Yves.Caminhos da realização.Rio de Janeiro: Vozes, 1997.


O’HANLON, William Hudson.Raízes profundas. São Paulo, Ed. Psy, 1996.


ROSEN, Sidney.Minha voz irá contigo: os contos didáticos de Milton H.Erickson.Campinas: Psy, 1992.


Publicado em 24/05/2004 15:16:00






Marcos Bueno – Psicólogo de orientação gestáltica e ericksoniana, membro fundador do Núcleo de Gestalt-Terapia de Uberlândia/MG, professor no Cesuc, Mestre em Gestão da Inovação Tecnológica e Ambiental pelo PPGEP/UFSC, Especialista em Administração pela FGV e UFU/Université du Quebèc a Trois Rivières e formação em Psicologia pela UnG, ex-gerente de RH e Qualidade,formação em psicoterapia e hipnose ericksoniana no Instituto Milton Erickkson de BH,filiada a The Milton H. Erickson Foundation, Inc.,Phoenix, AZ, EUA, membro do Instituto Milton H. Erickson do Triângulo Mineiro e membro da Academia Catalana de Letras.