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Viver ou juntar dinheiro?

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Max Gehringer: “Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.
Lá vai:”

 

‘Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.

Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa… Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.

Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.

É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.

Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!

Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida.

Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço.’”

Nicholas Carr, um escritor contra a internet e as redes sociais

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Li, achei interessante, assino embaixo. Repasso.

Em geral, o surgimento de uma tecnologia provoca também o aparecimento de grupos antagônicos, que em relação a ela se dividem em entusiastas e céticos. Foi assim com o rádio e com a TV. O mesmo aconteceu com a internet e, em tempos mais recentes, com as redes sociais. O escritor Nicholas Carr é um dos líderes dos céticos. Aos 53 anos, o americano, mestre em literatura pela Universidade de Harvard, afirma que as características mais brilhantes da internet podem cegar (no sentido figurado, é claro) seus usuários. Segundo ele, a miríade de conteúdos oferecidos na web termina por minar o poder do usuário de se concentrar em qualquer um deles. O saldo, portanto, é zero, na visão de Carr. As ideias foram para em um livro, A Geração Superficial – O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros (Agir, 384 páginas, 49,90 reais), que combina análise da tecnologia com descobertas da neurociência. O livro foi malhado no exterior, mas a discussão suscitada pelo autor merece lugar. Na entrevista ao site de VEJA reproduzida a seguir, o autor reconhece os benefícios provenientes da web, mas volta a atacar: diz que o Google é motor da desconcentração na web “O negócio deles é vender distração” e promete manter-se como um dos poucos americanos a ficar fora das redes sociais: “Não pretendo reativar meus perfis no Twitter e Facebook.” Confira.

 

Quando o senhor suspeitou que a internet começou a alterar seu comportamento? Em 2007, quando comecei a ler um livro, percebi que perdia paulatinamente minha capacidade de concentração ao pausar a leitura para visitar sites na internet. Vi que estava treinando meu cérebro para receber estímulos constantes, com um bombardeio de informações em tempo real. Como consequência, não tinha condições de me envolver em tarefas que demandam mais atenção fora do computador, o que me inspirou a escrever um artigo e, posteriormente, um livro sobre como as tecnologias influenciam o pensamento humano. A internet, assim como outras tecnologias já criadas, limita o pensamento.

 

Se a internet nos deixa menos concentrados, qual foi a estratégia para escrever o livro – que, afinal, demanda concentração? Simplesmente mudei meus hábitos virtuais. Durante a produção da obra, acessava e-mails e sites de buscas, mas apenas os usei como ferramentas que me auxiliariam nos argumentos para a criação do livro. A maioria dos conteúdos descritos na obra foi retirada de livros, artigos e outros documentos em papel.

 

Durante a produção do livro, o senhor excluiu seus perfis no Twitter e Facebook. Eles já foram reativados? Não reativei e nem pretendo fazer isso. Twitter e Facebook são duas plataformas atraentes e úteis às pessoas conectadas, mas não sinto falta delas. É importante que seus usuários saibam que há um custo ao se tornar membro desses serviços, relacionados não só ao estado de distração e fragmentação de atenção, mas à falta de privacidade que essas plataformas provocam.

 

O senhor teve vontade de inserir em seu livro algum recurso tecnológico, como links? Jamais! Acredito que os links distribuídos em uma obra desencorajariam uma leitura mais profunda a respeito do tema. Há uma seção no meu livro que dedico exclusivamente às trocas de diálogos entre urls, que tendem a reduzir a compreensão de um conteúdo. O link é um inimigo da concentração.

  

Qual é seu objetivo ao discutir os problemas da internet? Quero discutir os perigos do uso intenso da internet e incentivar uma visão mais cética sobre a tecnologia. Ela nos trouxe – e traz, até hoje – praticidade e ajudou a mudar muita coisa no mundo, mas, como escritor, acredito que devo questionar a tecnologia. Sei que é difícil lidar com essa situação, uma vez que a internet está profundamente ligada às rotinas de trabalho e relacionamento das pessoas, mas trata-se sobretudo de uma pequena colaboração para promover a discussão.

 

Qual é sua opinião a respeito do Facebook? Eu desconfio do Facebook. O interesse da empresa reside em transformar usuários em objetos que possam ser vendidos, posteriormente, aos anunciantes. Não acredito que essa rede social seja algo saudável e espero que as pessoas comecem a pensar duas vezes ao usar o serviço.

 

E o Google? Eu acredito que a internet esteja nos deixando superficiais e o Google ajuda substancialmente a construir parte desse ecossistema. O gigante de buscas pretende aperfeiçoar a eficiência de nossos pensamentos, transformando sentimento em conteúdos valiosos para uma máquina. O Google vende distração.

 

Por que o senhor considera o Google+, a rede social do Google, tão chato? Bem, não tem muita coisa acontecendo lá, não é? Muitas pessoas se inscreveram, mas poucas passam algum tempo no site. A rede tende a ser dominada por entusiastas de tecnologia.

 

O que o senhor aconselharia a quem quer começar a escrever: blog, Twitter? Comecei a escrever antes de a web ser criada. Então, é realmente difícil dar uma receita aos novos usuários. Eu tenho um blog desde 2005 e desfruto da liberdade que ele me dá como escritor, mas já antecipo: é praticamente impossível ganhar a vida como um blogueiro, a menos que você tenha muita sorte.

 

Apesar das críticas que faz a internet, o senhor não concorda que a web tem ampliado o acesso ao conhecimento? Sem dúvida. A internet reduziu as fronteiras que separam pessoas das informações. Assim como tecnologias anteriores, ela amplifica o conhecimento, mas sacrifica outras coisas importantes. Compreender um assunto requer pensar profundamente sobre fatos e experiências e realizar conexões entre eles. Eu acredito que a web desencoraja esse tipo de construção do conhecimento, mas são evidentes os benefícios que ela nos traz.

 

Foto: Getty Images.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/vida-em-rede/twitter/nicholas-carr-um-escritor-contra-a-internet-e-as-redes-sociais/

Tempo

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Invernos, impérios, mistérios
Lembranças, cobranças, vinganças

Assim como a dor que fere o peito
Isso vai passar também

Saudades, vaidades, verdades
Coragem, miragens e a imagem no espelho

Como a dor que fere o peito
Isso vai passar também

E todo o medo, o desespero e a alegria
E a tempestade, a falsidade, a calmaria
E os teus espinhos e o frio que eu sinto
Isso vai passar também

 

 

Sandy Leah / Lucas Lima

 

Video

Infância de antes

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Outro dia estava conversando com algumas pessoas, dentre elas meu irmão, sobre a nossa infância. Num tempo em que criança não tinha muito poder de escolha e nem adiantava ser influenciada por propaganda. O presente só vinha mesmo de vez em quando, ora no aniversário, ora no Natal. Não tivemos uma infância tão pobre, mas vejo que antes era tudo muito mais restrito e inalcançável do que hoje. Antes que eu digo é há cerca de 20 anos.

Mas apesar da restrição, meu pai e minha mãe, com toda a dificuldade que tinham em criar e educar três filhos, jamais deixaram de nos fornecer um livro sequer, admito que a maioria deles era usado, passávamos as férias apagando as respostas nos livros que comprávamos de estudantes que os haviam utilizado em anos anteriores. Haja borracha e disposição. Pegávamos emprestado em bibliotecas ou com colegas, livros literários, quando não tinha jeito mesmo ganhávamos um novinho. Como era bom aquele cheiro de livro novo!

E a volta às aulas, era uma festa! Levar aquela lista na papelaria e comprar tudo novinho. A borracha colorida com capinha, os apontadores com reservatório para o lixo, o estojo com várias repartições, plástico com estampas de desenho para encapar os cadernos e minha mãe passando margem com caneta vermelha, folha por folha. Que saudade! Quando tínhamos direito a uma mochila e uma lancheira nova era a glória.

Me lembro que a lancheira tinha que ser de cor neutra, porque eu a dividia com meu irmão. O horário de lanche dele era antes. Então ele lanchava a metade, eu ia até a sala dele e buscava a lancheira para comer o restante. E o seu Joaquim do bar todo dia me fazia a mesma pergunta quando eu ia lá cedinho encher a garrafinha térmica com guaraná: “mas menina, não acaba o gás”?

Nossa infância foi fantástica, mesmo com todas as restrições. Quando meu pai viajava para buscar produtos para a loja que ele tinha nos trazia uma bandeja de iogurte. Era o melhor iogurte do mundo. Iogurte em casa era uma vez por mês, no dia da compra e quando vinha da viagem era extra. Eu juntava um dinheiro aqui outro ali para comprar picolé da Kibon, que era um luxo e o sonho de consumo gastronômico de qualquer criança.

Os presentes mais caros eram trazidos pela minha avó, que alimentou alguns sonhos de consumo meus e dos meus irmãos. Ganhei gradiente, bicicleta, Barbie e até um som com dois tapes, rádio e vinil. O máximo. Aí era uma luta para comprar disco, juntava dinheiro um tempão para comprar o LP novo da Xuxa, que vinha com aquele mega pôster para pregar na parede.

Mas tudo isso me serviu para lembrar com muita alegria, como estou fazendo hoje. Nossa infância, minha e dos meus irmãos foi intensa, aproveitamos ao máximo e, morar numa cidade interiorana facilitou muito as coisas. Brincávamos na rua mesmo, juntava a molecada da vizinhança e fazia a festa. Jogava bola, queimada, esconde-esconde, entrava nos quintais para escalar mangueiras e chupar manga no pé. Íamos para a chácara da madrinha e pegávamos o trieiro do pé de Jatobá até a estrada, depois voltávamos obedientes. A reunião do dia era no pé de ciriguela. Tomávamos banho no córrego, armávamos barraca para dormir. Os finais de semana na casa dos avós e tios. A brincadeira com os primos e primas. Era tudo muito bom.

Eu sinto muito pelas crianças de hoje, que não têm essa infância que nós tivemos. Não todas, mas a maioria. A sociedade e os costumes são outros, o poder aquisitivo da população aumentou, assim como o acesso a muita coisa. Nem por isso a vida melhorou em alguns aspectos. E eu sinto muito por essas crianças que têm como companhia apenas adultos e uns poucos irmãos, quando os têm. Crianças que só convivem com outras crianças na escola. Que esperam no celular ou no computador o contato de algum amigo virtual. Crianças que têm tudo ao alcance, inclusive poder de escolha, que assistem a programação destinada a elas na TV, que consomem produtos oferecidos pela mídia e exigem. Crianças que têm tudo e nada ao mesmo tempo.

Brinquedos que brincam por elas. Infância vazia de contato humano. Crianças que trocam os livros pelos eletrônicos. Que não brincam na rua com os vizinhos, que nem sequer conhecem os vizinhos, que não frequentam a casa de outras crianças, nem recebem visitas. Que crescem adolescentes solitários e adultos individualistas. Eu tenho muita pena das crianças que trabalham (ou não) e não têm infância. Uma fase tão importante e fundamental para a formação de adultos mais humanos e que sabem respeitar o espaço do outro.

O Facebook e a hipocrisia na era virtual

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“Mas por que você não está no Facebook”? Sempre me perguntam.

A ideia de se ter um perfil virtual é tão disseminada que é como se eu não existisse porque não estou na rede social do momento, o Facebook. Na verdade, acho a internet a melhor coisa que já inventaram nos últimos tempos e procuro usá-la sempre a meu favor. Mas o que noto nos tempos atuais é uma gente louca para se mostrar nas páginas virtuais, completamente insanas e viciadas. Uma necessidade exagerada e horrorosa de querer passar uma imagem que não existe para “estar bem na fita”, para ser o bem sucedido numa sociedade capitalista e medíocre. Sociedades capitalistas e medíocres são formadas por pessoas capitalistas e medíocres, simples assim.

Eu que nasci já no finalzinho da ditadura militar não vi uma sociedade que tentava burlar ideias retrógradas e autoritárias de um governo desenfreado; não vivi uma época de cabeças pensantes, jovens nas ruas lutando, artistas exilados por querer falar a verdade. Eu que era criança na época da Geração Coca-Cola não vi manifestações estudantis e a ascensão do rock no Brasil, a atitude de tantos artistas consagrados. Hoje eu tento correr atrás do prejuízo e me informar sobre uma época de cultura, inteligência, vontade, luta e o melhor, pessoas com personalidades definidas.

Não que isso não exista hoje em dia, mas as redes sociais tomaram conta de tudo e de tal forma que o que consigo enxergar é uma juventude perdida, apática, sem ideais, massacrada por um desejo de fama mal resolvido, preocupada com a imagem, com a capa que conta mais que o conteúdo. Gente hipócrita que expõe a vida na internet, que cria um personagem para se passar por um papel ridículo de bom moço que não existe.

O que vejo são menininhas que escrevem “bjux” e tiram foto de ladinho com cabelões dupla cor e alisadérrimos, vestidinhos justinhos, curtinhos e mega sandálias, fazendo gracinhas para garotinhos bobinhos, comprando e vendendo futilidades nos sites de relacionamento.

O que vejo são adultos, que provavelmente não viveram essa Geração Coca-Cola, se transformando em adolescentes bobos e banais na era do Facebook. E como eles amam, e como eles adoram os outros, e como eles têm amigos, e como eles sentem uma tremenda necessidade de mostrar que amam e são amados, que são muitíssimo felizes e bem resolvidos e que levam a vida numa boa. E como eles estão lindos nas fotos, com ótima aparência. Um book virtual para se mostrar, uma fama que não existe. Um site de relacionamento como fuga de uma vida banal, vazia e cheia de problemas.

Não. A maquiagem das redes sociais, principalmente do Face que é a moda do momento, assim como o Orkut foi um dia, não me pega! Maquiar a vida, a rotina, fazer disso um falso marketing pra inglês ver não me seduz. Eu não estou no Facebook por vários motivos, pode ser que amanhã ou depois eu encontre um motivo, profissional acredito, para estar lá. Mas, por enquanto, de nada me serve fazer parte do BBB (Big Besteirol Brasileiro) dos anônimos.

Eu não sinto necessidade de expor a vida no Facebook. Não sinto necessidade de viajar e tirar fotos para postar no Facebook, para mostrar às pessoas, que não têm absolutamente NADA a ver com a minha vida, que eu fui para aquele lugar. Fotos são para guardar de recordação para a vida, para os pouquíssimos amigos e para a família. Não, eu não tenho mais de mil amigos como as pessoas do Facebook, só tenho amigos que me interessam ter e não gosto de tê-los de forma virtual, gosto de tê-los por perto e conversar.

Eu não sinto necessidade de postar frases sem saber a autoria, ou de escritores de quem nunca li um livro sequer só porque achei bonita. Eu tenho vontade de ler e ler cada vez mais, porque acredito que isso me faz ser uma pessoa melhor. Eu não sinto necessidade em ver vídeos bobocas, piadinhas sem graça, fotos de gente exposta a cenas ridículas, apelação, fotos de cadáveres, seguir perfis de cantores, atrizes ou pessoas afins. A curiosidade sobre a vida do outro também é ridícula.

São esses alguns dos motivos que tenho para não ter um Facebook. Eu prefiro a vida real, prefiro ser uma pessoa real, que sofre, que se diverte, que ri, que chora, que tem frustrações, realizações, problemas, soluções, pouco dinheiro num dia, dinheiro suficiente no outro (porque muito eu nunca tive mesmo). Prefiro ser eu mesma, olhar no olho, conversar, sair para passear sem ficar cutucando a internet pelo celular. Prefiro guardar a hipocrisia, ser sincera com as pessoas, mesmo pagando mais caro por isso.

Eu não tenho necessidade de ser um personagem no Facebook.  

Marketing do desejo

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Desta vez o texto não é meu, é do colunista da Folha de São Paulo, Luiz Felipe Pondé. Li, reli, gostei tanto que decidi postá-lo neste meu espaço, com os devidos créditos e respeito ao autor. Mas, sabe que, desse texto não retiraria nem mesmo uma palavra, ele diz, na brilhante forma que tem de escrever e jogar com as palavras, exatamente tudo o que eu gostaria de dizer. Aproveitei para grifar partes que achei mais importantes, é como se essas partes grifadas fossem um grito meu, pensem assim, estou lendo o texto e, nas partes grifadas aumento o tom de voz. Isso, é isso.

Estou escrevendo um texto sobre o “Face”, do qual não faço parte porque ainda não senti necessidade para isso. Posto na próxima semana, quando já for 2012.

 

“‘Mais importante do que o sucesso é passar uma imagem de sucesso.’ Você pode ouvir uma frase como esta em qualquer palestra brega de motivação em recursos humanos. Já disse antes que acho palestras assim a coisa mais brega que existe. Mais brega do que isso só mesmo achar que o mundo melhorou porque existe o Facebook.

A melhor forma de manter a dignidade na era do Facebook (se você não resistir a ter um) é não contar para ninguém que você tem um Facebook. Quase tudo é bobagem nas redes sociais porque o ser humano é banal e vive uma vida quase sempre monótona e previsível. E a monotonia é o traje cotidiano do vazio. E a rotina é o modo civilizado de enfrentar o caos, outra face do vazio.

A ideia de que aprendemos a falar porque quisemos ‘conhecer’ o mundo é falsa. Segundo os evolucionistas, é mais provável que tenhamos aprendido a falar para falar mal dos outros e fofocar.

O ‘Face’ é, neste sentido, um artefato paleontológico que prova que nada mudou.

Sempre se soube que não basta à mulher de Cesar ser honesta, ela tem que parecer honesta, portanto, a imagem de honesta é mais importante do que a honestidade em si. Mas aqui, o foco é diferente: aqui a questão é a hipocrisia como substância da moral pública. Todo mundo sabe que a mentira é a mola essencial do convívio civilizado.

No caso de frases como a citada no primeiro parágrafo, comum em palestras de motivação em recursos humanos, é que são oferecidas como ‘verdades construtivas de comportamento’. E não como o que verdadeiramente são: estratégias para desgraçados e ‘losers’ se sentirem melhor.

Ficamos covardes. Fosse esta geração de jovens europeus (que só sabe pedir direitos e iPads) que tivesse que enfrentar Hitler, ele teria ganhado a guerra. Provavelmente esses estragados por décadas de ‘estado de bem-estar social’ teriam dito ‘não à guerra em nome da paz’. Grande parte do estrago que Hitler fez no início foi causada por gente que gostava de dizer que a paz sempre é possível. Gente medrosa mesmo.

Mas nossa época, como eu costumo dizer muitas vezes, é a época do marketing de comportamento. A ‘ciência da mentira dos losers’. Dentro desta disciplina geral, existe o marketing do desejo, especializado em mentir para as pessoas dizendo que ‘sim, confie no seu desejo que tudo dará certo’.

Mesmo alguns psicanalistas (vergonha da profissão) embarcaram nesse otimismo de classe média. ‘Nunca traia seu desejo’, dirão os traidores da psicanálise. Sabe-se muito bem que é o desejo que nos trai porque ele está e vai além do que, muitas vezes, conseguimos suportar.

Uma das grandes tragédias de nosso tempo é o fato de que não existem mais recursos ‘simbólicos’ para aqueles que resistem ao desejo em nome de ‘um bem maior’, como no caso da família, do casamento, ou simplesmente resistir a virar canalhas com desculpas do marketing. O legal é ser ‘escroto’ se dizendo ‘livre’. A ‘ética do desejo’, que recusa abrir mão do próprio desejo em nome de algo maior do que ele, destruiu a noção de caráter.

Para a moçada do marketing do desejo, resistir ao desejo é coisa de gente idiota e mal resolvida porque ter caráter não deixa você muito feliz o tempo todo.

É verdade que resistir ao desejo não garante felicidade alguma, mas uma cultura dominada pela ideia de felicidade é uma cultura de frouxos. Mas outra verdade, não menor do que a anterior, é que o desejo pode ser um companheiro traiçoeiro. A afetação da felicidade faz de nós retardados mentais. Eu nunca confio em gente feliz.

O mestre Freud dizia que o desejo é desejo de morte. Afirmação dura. Mas o que ela carrega em si é o que já sabemos: o desejo nos aproxima do nada (morte) porque desvaloriza tudo que temos. Por isso, quando movidos por ele, sem o cuidado de quem se sabe parte de uma espécie louca, flertamos com o valor zero de tudo.

Nada disso significa abrir mão do desejo, mas sim saber que ele nos faz animais que caminham sobre tumbas que sorriem para nós como mulheres fáceis. Resistir ao desejo talvez seja uma das formas mais discretas de amar a vida”.

Luiz Felipe Pondé

2012

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Sei lá, acho que em 2012 serei uma pessoa melhor que em 2011. Acredito que a cada ano que passa ficamos um pouco melhores. Eu não sou a dona da verdade, mas continuarei a defender meus argumentos e opiniões, só me preocupando com as críticas construtivas. Estou aprendendo a ouvir também, não só falar, falar, falar…

Com o tempo a sabedoria vem chegando a conta-gotas e aprendemos a ter mais paciência e a refletir mais. Ainda estou um pouco longe da calma e da tranquilidade, para falar a verdade, nem sei se quero chegar nesse estágio, acho que é mais importante saber a hora de acelerar e a hora de frear.

Ganhei um calendário de 2012 e achei lindo o texto da primeira página. Não estou com preguiça de escrever, também não vou copiar o texto de alguma mente criativa que o elaborou para o calendário, então parafrasearei.

Sim, o nosso melhor tempo é aquele que ainda está por vir. Quero para mim e desejo as boas pessoas que em 2012 possamos brincar mais, seja na companhia de crianças ou não. Que haja mais sorrisos e lágrimas de alegria do que de tristeza, novas e boas experiências. Que haja mais diálogo entre as pessoas, não via web, não através do tablet ou do note, mas assim, cara a cara, olho no olho. Atenção pessoas que estão ao meu redor: não quero conversar com ninguém através de um computador, preciso do contato e das vozes, prezo isso.

Que possamos conhecer novos lugares, sejam eles belos ou não, e que isso nos traga novos aprendizados, sensações e experiências. Que façamos novos amigos, não importa que sejam muitos e sim que sejam verdadeiros. Que as surpresas sejam boas. Ai, ai… Que possamos cuidar daqueles que amamos e exigir que sejamos cuidados. Que haja reciprocidade e RESPEITO. O espaço do outro é do outro, cuide do seu.

Que venham sonhos e que estes sejam realizados aos poucos e que, jamais, possamos perder a capacidade de desejar algo de bom, seja para nós, seja para o outro, que não percamos a esperança e os sonhos. Que possamos ter mais cuidado com as nossas escolhas e com as pessoas que fazem parte delas.

Que Deus seja o centro de tudo, no centro de cada coração.

E que a minha vontade e capacidade de escrever continuem, porque isso é uma necessidade e um prazer. Mesmo que ainda não tenha chegado onde quero chegar. E que haja mais literatura na vida de todas as pessoas e mais Clarisse. Amém!

 

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”. Clarisse Lispector – A Hora da Estrela

 

RESPEITO À LÍNGUA PORTUGUESA

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Há uma questão que me incomoda profundamente: a não importância das pessoas para com a língua portuguesa. Acho quase inadmissível uma pessoa não escrever corretamente sua própria língua.

Faço uma pequena ressalva, apesar de vivermos num país em constante crescimento, a educação nunca foi prioridade por aqui e, não querendo ser pessimista, creio que nunca será.

Infelizmente, no Brasil ainda existem índices de analfabetismo e pessoas que não têm acesso à educação de qualidade. E pensar que isso é um direito de todo cidadão, presente na Constituição Federal. O direito à educação é o mínimo que o Estado deve garantir ao cidadão. E nós, enquanto brasileiros e falantes da língua portuguesa, temos a obrigação de escrever corretamente de acordo com a norma padrão culta.

Muito me admira também o valor que os brasileiros dão a línguas estrangeiras, acham importantíssimo e necessário aprenderem inglês, espanhol e assim por diante. Mas, sinceramente, ninguém aprende língua estrangeira nenhuma sem saber a sua própria.

A fala é particular de cada um, não entremos no preconceito lingüístico, cada pessoa fala conforme a ocasião e o contexto sociocultural no qual está inserido. Mas escrever é diferente, a escrita possui regras que devem ser seguidas e, isso é não somente uma obrigação nossa, mas uma questão de respeito com a língua. Definitivamente, ninguém tem o direito de escrever como fala. Há dúvidas? Recorra ao dicionário.

Aliás, os governos deveriam estar bem mais preocupados em distribuir gratuitamente livros e dicionários e garantir à população acesso à educação, do que se preocuparem em impor reformas ortográficas desnecessárias, apenas por questões diplomáticas.

PODRES PODERES

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A música sempre me inspira e me salva. Instiga-me a debates e me faz buscar soluções, por mais difíceis que pareçam. E por mais que saibamos que sempre será assim, essa situação tal qual assim, nunca podemos perder a fala, a opinião expressa e espalhar nossa revolta a quem ainda não aprendeu a se revoltar, abaixo o conformismo, por favor!

Enquanto os homens exercem seus podres poderes, aqui estamos assistindo tudo de camarote, então parem de achar graça e dizer que é assim mesmo. Os homens podres exercem seus poderes tiranos e com a cara banhada a óleo de peroba, cara de pau de ladrão de subúrbio que subiu ao “poder”, para então poder pegar na cara dura o dinheiro que não é seu.

É tudo tão escancarado e todo mundo vê, não se pode achar isso normal, pode ser corriqueiro, mas não normal. E pensar que somos nós, que colocamos os homens podres a exercer poderes podres e empodrecer o espaço em que vivemos.

É Dnit que se desfaz, é montanha russa de 40 anos que vale mais de 2 milhões, é presidente da Câmara tendo que devolver dinheiro aos cofres públicos, uma beleza! A semana foi toda de “novidades” de homens podres, exercendo podres poderes. E o pior de tudo é que ano que vem tem eleição. Quem serão os podres da vez?

Nós temos DIREITO à saúde de qualidade, educação de qualidade, assistência previdenciária de qualidade, esporte, lazer, cultura, tudo de qualidade, pelo simples fato de estarmos PAGANDO por isso. Todos os homens enquanto cidadãos atuantes na sociedade em que vivem pagam impostos altíssimos para manterem de pé essa nação de homens podres. Homens que querem receber, além do salário (que vem do nosso bolso) também os extras que vem dos mais altos impostos que pagamos. Porque o nosso dinheiro não é revertido em benefícios de nós próprios, mas em benefício de um bando de homens podres, que exercem podres poderes. Porque são eles que fazem as leis que os beneficiam.

A presidente quer acabar com a miséria, atitude louvável. Mas não são os pobres que tem que pagar essa conta. e sim os homens podres deixarem de exercer podres poderes e pegar o dinheiro que iria acabar com a miséria. E quando é que teremos qualidade? Para termos alimentação de qualidade, salário mínimo de qualidade, vida de qualidade. Acesso? Precisamos de acessibilidade de qualidade.

E enquanto esses homens boçais seguem dando esse exemplo de merda, saltam aos nossos olhos bueiros, fraudes nas construções para a Copa (Copa no Brasil, que ridículo!), miseráveis, gente morrendo em corredor de hospital sem atendimento, vale exames uma vez por mês, asfalto de mentira, assaltos de verdade, o povo abandonado na merda.

Apresar da letra crítica é Caetano neste momento que me acalenta. E citando o meu admirado José Simão (colunista da Folha) “Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!”

 

 

Enquanto os homens exercem

Seus podres poderes

Motos e fuscas avançam

Os sinais vermelhos

E perdem os verdes

Somos uns boçais…

Queria querer gritar

Setecentas mil vezes

Como são lindos

Como são lindos os burgueses

E os japoneses

Mas tudo é muito mais…

Será que nunca faremos

Senão confirmar

A incompetência

Da América católica

Que sempre precisará

De ridículos tiranos

Será, será, que será?

Que será, que será?

Será que esta

Minha estúpida retórica

Terá que soar

Terá que se ouvir

Por mais zil anos…

Enquanto os homens exercem

Seus podres poderes

Índios e padres e bichas

Negros e mulheres

E adolescentes

Fazem o carnaval…

Queria querer cantar

Afinado com eles

Silenciar em respeito

Ao seu transe num êxtase

Ser indecente

Mas tudo é muito mau…

Ou então cada paisano

E cada capataz

Com sua burrice fará

Jorrar sangue demais

Nos pantanais, nas cidades

Caatingas e nos gerais

Será que apenas

Os hermetismos pascoais

E os tons, os mil tons

Seus sons e seus dons geniais

Nos salvam, nos salvarão

Dessas trevas e nada mais…

Enquanto os homens exercem

Seus podres poderes

Morrer e matar de fome

De raiva e de sede

São tantas vezes

Gestos naturais…

Eu quero aproximar

O meu cantar vagabundo

Daqueles que velam

Pela alegria do mundo

Indo mais fundo

Tins e bens e tais…

(Podres Poderes – Caetano Veloso)

QUERO SER CAMILLE PAGLIA

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“Aos 64 anos, Camille Paglia está preocupada com o futuro das artes. Para ela, a ligeireza da internet empobrece a criação. E os jovens, sugados pela web, ignoram as grandes referências artísticas. Polemista vigorosa, ela diz estar entusiasmada com a música brasileira. Quer fazer uma campanha para criar um canal específico sobre isso nos EUA. No momento se delicia com a descoberta de Elis Regina.

Mais serena, ela se arrepende de ter sido muito arrogante no passado. Nesta entrevista, a intelectual especializada em letras e artes e famosa por suas análises sobre sexo e cultura fala sobre aborto, feminismo, união homoafetiva. E desabafa sua frustração com Obama. Votou nele, mas está desiludida com a crise econômica, que leva ‘professores ao desemprego de costa a costa’. Discorre sobre a polarização na sociedade norte-americana e afirma que a cena política está envenenada.”

Este trecho retirei da Folha on line, que traz na íntegra a riquíssima entrevista com a ensaísta norte-americana Camille Paglia, mulher “Maria de Verdade” como já cantava Marisa. Lendo o exemplar da Folha de São Paulo do último dia 14 de maio, me surpreendi com a entrevista que está logo na capa do caderno Ilustrada, um dos que mais gosto no jornal, aliás, devo confessar que vou direto à ele depois de ler as manchetes da capa principal.

Mas voltando ao assunto, ou melhor, a pessoa, quero eu poder chegar nos meus 60 e com a bagagem de Camille, com seu conhecimento de mundo, com uma vasta produção e com a mente aberta, sabendo opinar sem medo.

A primeira parte da entrevista foca mais nas questões do governo de Obama e Camille se diz contra muita coisa. Achei inteligente a forma com que se posicionou sobre o provável assassinato de Osama Bin Laden. Vai saber… Nesses tempos de hoje é tão difícil acreditar…

Depois a entrevista ganha um aspecto geral, foca no papel da ensaísta e isso muito me interessou, aliás, me identifiquei, compartilho de suas opiniões, e passei a admirá-la, mesmo sem conhecê-la, mesmo sem ter lido nada de sua autoria ainda. Sim, ela veio ao Brasil para um congresso de jornalismo cultural que aconteceu em São Paulo, perdi. Infelizmente estamos afastados de bons acontecimentos, interioranos e classe média baixa que somos nem sempre é possível compartilhar, o preço é alto.

Camille defende o direito das pessoas, assim como eu, isso é muito importante e devia ser normal numa sociedade tão contemporânea de idade e tão arcaica de idéias. A liberdade da união civil, seja ela de heteros ou homossexuais, o direito ao aborto, mesmo que não deixe de ser um assassinato. “Sim, a mulher tem o direito de abortar. Mas eu digo: você está cometendo assassinato. Sim, você está. Mas você tem o direito de fazê-lo. Mas você precisa pensar nas consequências éticas e talvez você tenha alguns arrependimentos”, disse.

“Aqui (Brasil) é crime, com pequenas exceções. Ricas fazem aborto clandestinamente em clínicas privadas e as pobres correm o risco de morrer. Esse é o resultado disso. A igreja nos tempos modernos não deveria ter papel algum em fazer leis”.

Não, literalmente não cabe a Igreja fazer as leis, foi-se o tempo, a sociedade é outra, a época é outra, Igreja é um negócio muito fechado, limitado, imposto, acho que tal instituição deixa as pessoas um tanto retrógradas. Prefiro acreditar em Deus. Não dá para tratar o todo com idéias de uma parte. Suas idéias feministas também me interessaram, mulher é mais que uma pessoa dona de casa, há donos de casa também, mulher é dona de seu nariz, pena que a maioria das mulheres ainda é machista. Custoso não é?

Em seguida Camille elogia a produção musical brasileira, descobriu Daniela Mercury, Legião e Elis Regina, tudo-de-bom e mais um pouco não é? Grandes descobertas. Seu próximo livro com certeza será essencial e enriquecedor, esperaremos. E a juventude? Bem… “Nos EUA há uma hostilidade perceptível dos jovens, que olham para nós, os ‘babyboomers’, e sabem que não vão ter as oportunidades de emprego que tivemos e que terão piores padrões de vida. Eles sentem que fomos muito autocentrados, e é verdade”.

E por aqui, será que é diferente? Creio realmente que não.

Por essas e tantas outras é que recomendo a entrevista em questão, segue o link, leitores e blogueiros, vamos nos encher mais de sabedoria.

Até a próxima.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/915322-ensaista-camille-paglia-diz-que-internet-empobrece-cultura.shtml