Em todo o estado, cerca de 40% das obras não possuíam engenheiro responsável. Os dados são do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), que alerta para os riscos que essas obras oferecem, além de saírem mais caras. Também segundo o Crea-GO obras sem engenheiro custam até 40% mais.
O gestor do departamento de fiscalização do Crea-GO, o engenheiro civil Jader Rodrigues Alves, ressalta que toda obra, sem exceção, precisa de um engenheiro civil. “As pessoas pensam que esse profissional só é necessário na etapa de construção. Isso é uma cultura errada.” Ele explica que o engenheiro também é essencial para obras de manutenção e reforma de qualquer tipo de imóvel até para checar se o projeto é viável ou não.
Entre os riscos que a interferência sem projeto de profissional competente pode trazer para o edifício, o proprietário que opta por executar uma obra sem engenheiro também irá, certamente, desperdiçar dinheiro. “Muita gente tem a falsa impressão que está economizado, mas o que acontece é o contrário”, afirma Jader. Ele destaca que as obras acabam saindo mais caras por falta de planejamento. “Sem engenheiro, o pedreiro e mestre de obras geralmente não estão nem aí, usam os materiais de qualquer jeito, não têm cuidado e acabam gastando mais.”
O profissional afirma que se a obra não tem engenheiro já é sinal de que lá serão encontradas várias outras irregularidades. Geralmente, não cumprimento da legislação trabalhista, normas de segurança e precauções contra incêndio. Os erros mais comuns, segundo Jader, são a derrubada de paredes e a troca de instalações elétricas sem orientação. “Fazer isso quase sempre vai ocasionar uma dor de cabeça futura.”
Jader ressalta que a orientação vale tanto para casas como para edifícios. Em ambos os casos é o profissional quem deve dizer o que pode ser feito. No caso dos prédios, se a obra for dentro do apartamento, é de responsabilidade do proprietário informar ao síndico. Se for na área comum, quem deve cuidar é o condomínio.
Irregularidades geralmente levam ao embargo da obra. Atualmente são mais de quatro mil em Goiânia que descumpriram o Código de Edificações da Prefeitura. São 26 fiscais municipais, além de mais de 50 do Crea-GO que verificam diariamente se as construções e reformas estão dentro da lei.
Legislação
Segundo Jader Rodrigues, para uma obra estar dentro da lei é necessário, sempre em primeiro lugar, engenheiro e projeto. Tem também de estar de acordo com o Código de Edificações da Prefeitura, que varia a critério da cidade. O gestor do departamento de fiscalização do Crea-GO destaca que toda obra deve ter placa em que constam informações sobre a construção, equipamentos de segurança, projeto e engenheiro. “A placa serve para comunicar à sociedade que a obra tem uma pessoa responsável à frente.” Além disso, a obra deve respeitar o espaço para os pedestres na calçada e fazer um recuo para armazenamento de materiais.
A distribuição dos materiais e entulhos também deve ser levada em consideração para equilibrar o peso e não sobrecarregar a estrutura. Entulho demais, por exemplo, pode deformar a viga, trabalhar a estrutura do imóvel de uma forma não prevista, podendo levá-lo a colapso. O Crea-GO também orienta o proprietário a cobrar anotação de responsabilidade técnica do engenheiro, já que ela é a garantia do serviço. Além disso, Jader lembra que é preciso estar atento ao aparecimento de fissuras e trincas, que são indício de problema. “Quando elas aparecem no imóvel, o engenheiro deve ser chamado de imediato para determinar o que tem de ser feito.”
Fonte: O Hoje.