As atividades educacionais em Goiás dentro das unidades escolares continuarão suspensas pelo menos até o dia 30 deste mês, conforme determinação do Conselho Estadual de Educação (CEE). Até então, a medida, tomada no dia 16 de março, valia até o próximo sábado (4), mas foi adiada em razão da falta de condições de ter aulas presenciais no momento, dado em que a Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) e o governo estadual preveem um aumento dos casos do novo coronavírus (Covid-19) nas próximas semanas. 

A determinação do CEE é que as escolas continuem com as aulas não presenciais ou realizadas por meio de tecnologias. A medida abrange todo o ensino básico e o ensino superior regido pelo sistema estadual.


Titular da Seduc, Fátima Gavioli, que estuda exibir videoaulas na TV aberta (Foto: Fábio Lima)


De acordo com o presidente do CEE, Flávio Roberto de Castro, a decisão foi tomada após conversas com a SES-GO e o governador Ronaldo Caiado (DEM) e antes mesmo de uma nova edição do decreto estadual que determinou as medidas de isolamento social em todo o Estado e que vale até sábado. “Não temos condição de retornar as aulas agora. A estimativa é que ainda vamos ter um pico de casos neste mês e temos de preservar a saúde, cuidar dos funcionários, dos professores, dos alunos e familiares.”

No entanto, ele diz que tem orientação da SES-GO para que as atividades a serem feitas em casa tenham continuidade, até mesmo para não deixar os alunos na ociosidade. “É um processo novo, estamos criando os critérios dentro disso, trocando os pneus com o carro rodando. Estamos evoluindo ainda e temos a certeza que depois os alunos vão exigir estas aulas não presenciais, o que é uma realidade em muitos locais. Os alunos vão querer ter as videoaulas e os materiais para o reforço em casa depois. A parte positiva é que estamos nos preparando para isso”, conta. O presidente lembra que o que se tem feito é uma adaptação do modelo pedagógico.

A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) tem seguido rigorosamente o decreto estadual, de acordo com a secretária Fátima Gavioli. “No dia 4 o governador deve editar o decreto, sabemos que vai permanecer algumas coisas fechadas e outras não e estamos nos preparando para qualquer situação.” Segundo ela, as aulas não presenciais são regulamentadas pelo CEE e podem ser por interação por tecnologia (aplicativos de mensagens, redes sociais ou videoaulas, pela televisão ou internet) ou com preparação de materiais impressos. Na rede estadual, 83% das escolas estão em atividades com o professor em grupos pela internet e os outros 17% recebem o material em casa, sendo por fotos dos murais das escolas ou materiais impressos, que podem até ser entregues pela Seduc, com apoio até mesmo da Polícia Militar (PM).

Fátima entende que, de fato, há problemas neste sistema, especialmente quanto as dúvidas dos alunos, o que faz contar com o auxílio das famílias dos alunos neste momento. Castro revela que os educadores têm feito os materiais com base em um roteiro com o que se entende como a melhor didática para estes tipos de materiais de ensino. Assim mesmo, a efetividade disso será medida da mesma forma que é feita com as aulas presenciais, por meio de avaliações. A determinação do CEE é que, assim que a suspensão das atividades presenciais acabar, os alunos passem por avaliações para verificar o nível de aprendizagem.

Na rede estadual, conta Fátima, no retorno das aulas será feito uma semana apenas com o reforço dos conteúdos dados com as aulas não presenciais e, depois, haverá uma avaliação em que a medição do aprendizado será com o mesmo método atual, em que nota acima da média para 80% da turma é considerado que os materiais foram assimilados. “Ainda não temos as respostas, estamos todos tentando ainda o que vai ser melhor. Esta situação aconteceu, ninguém estava preparado para ela e não foi só aqui em Goiás e nem só no Brasil, é no mundo todo”, considera a secretária de Educação.

Comunidades

Ela conta ainda que não tem tido problemas com as escolas em cidades mais isoladas, já que é mais fácil levar o material para os alunos das comunidades, onde não há o acesso à internet, por exemplo. “O pior tem sido em escolas da região metropolitana aqui da capital e do Entorno do Distrito Federal, em que muitas escolas estão querendo não dar atividade nenhuma, ficar parada e resolver isso só depois que tudo voltar ao normal. E isso nós não estamos aceitando, porque é para ter as aulas não presenciais”, diz.

A Seduc também negocia com a Agência Brasil Central (ABC) para conseguir um horário diário, que seria de duas horas, em que pudesse ser utilizado para a transmissão das videoaulas semanais. O presidente do CEE reitera ainda que a situação da educação é semelhante com o que ocorre a qualquer outra atividade. “Do mesmo jeito que todo mundo está adaptando a esta realidade, nós da educação também estamos. Temos uma série de alternativas para as escolas e alunos.”

Nesta quarta-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou medida provisória estabelecendo normas excepcionais para educação básica e ensino superior. A decisão do governo foi retirar a obrigação do cumprimento de 200 dias letivos anuais, mas manteve a carga horária em 800 horas. O CEE ainda vai regulamentar, até o final desta semana, como estas horas poderão ser cumpridas. “O que estamos fazendo é mudando o calendário, provavelmente vamos ter aula em julho, em dezembro. O ano letivo não vai ser idêntico ao ano civil mais”, diz Castro.

 

Secretários pedem adiamento do Enem

O anúncio das datas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, marcadas para 11 e 18 de outubro na modalidade digital e 1º e 8 de novembro no tipo impresso, pelo Ministério da Educação (MEC) surpreendeu secretários de educação de todo o País e mesmo sindicatos das escolas privadas. O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) divulgou nota pública em que manifesta “profunda preocupação” quanto às datas, visto que há aulas presenciais suspensas em todo o País, o que prejudica, sobretudo, os alunos de escolas públicas, de acordo com a entidade.

“Mesmo considerando as soluções e ferramentas que estão sendo implantadas nas redes privadas e públicas para minimizar as perdas do período de suspensão das aulas presenciais, elas não chegarão para todos os estudantes brasileiros, principalmente os mais carentes”, diz a nota pública. O Consed pede que as datas sejam suspensas até que se tenha uma solução para a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O conselho solicita também que sejam estendidos os prazos de inscrição para o exame e que todos os alunos de escolas públicas sejam isentos da taxa de inscrição, dado que a pandemia tem reflexos também na economia das famílias.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes também se manifestaram contrários ao calendário definido para o Enem 2020. As duas entidades, juntas, criaram o site adiaenem.com.br para um abaixo assinado que será enviado ao MEC com o pedido de mudança das datas e ajustes nos calendários, em conjunto, do ensino básico e superior no País. A secretária de Educação em Goiás, Fátima Gavioli, afirma que ficou surpresa com o anúncio do MEC, especialmente no momento “em que os Estados estão preocupados em garantir um mínimo de qualidade” aos alunos.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiás (Sepe), Flávio de Castro, que também preside o Conselho Estadual de Educação (CEE), as datas do Enem 2020 divulgadas nesta quarta-feira são inviáveis, mesmo para os alunos da rede privada. “Prejudica muito todos os alunos, não tem condição deste prazo. O MEC vai sofrer muita pressão, do País inteiro, para alterar isso, não tem como manter para novembro”, diz.


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