O CANAL DE NOTÍCIAS DO PORTAL CATALÃO
www.catalaonoticias.com.br
categorias
    • ENQUETE
      O Gov. de Goiás quer finalizar o contrato de concessão da distribuidora de energia Enel. Caso aprovado, a Celg GT volta a operar no estado até que seja feita nova licitação. Qual sua opinião?
      Selecione uma op��o abaixo.
      Eu sou contra
      Eu sou a favor
  • 09 de Dez / 2019 - Goiás
    Dono da Borges Landeiro afirma ter R$ 600 milhões
    Em 2017, a construtora alegou à Justiça que estava à beira da falência e possui dívida de R$ 250 milhões. Áudios foram gravados por funcionário, entregues ao MP e divulgados pelo Fantástico
    Áudio mostra Dejair Borges, dono da Borges Landeiro dizendo ter R$ 600 milhões em fazendas enquanto empresa pede recuperação judicial, diz MP. Funcionário da empresa entregou os áudios ao Ministério Público para denunciar a intenção de não pagar as dívidas com credores.

    Construtora é acusada de ocultar R$ 600 milhões em patrimônio para dar calote nos clientes (Foto: Reprodução/Anhanguera).
    O dono da construtora Borges Landeiro, Dejair Borges, aparece em uma gravação com diretores do alto escalão de sua empresa, durante uma reunião, confessando ter R$ 600 milhões em fazendas, segundo o Ministério Público de Goiás. O áudio interceptado por um funcionário foi entregue aos promotores para denunciar a intenção da empresa de não pagar dívidas com credores depois de ingressar na Justiça de Goiás com um pedido de recuperação judicial.
    “Essas fazendas que nós temos estão valendo R$ 100 mil por alqueire. Nós temos R$ 600 milhões em fazendas”, diz Dejair Borges na gravação.
    Em outubro, 12 pessoas foram presas, incluindo Dejair Borges, por suspeita de fraudar o processo de recuperação judicial, mas já estão em liberdade. O advogado do empresário, Roberto Serra, afirma que as prisões foram arbitrárias e que não houve golpe.
    “Haveremos no momento oportuno, até porque até este momento não foi oferecida sequer a ação penal, apresentar todos os argumentos e fundamentos necessários pra mostrar que essa acusação é totalmente improcedente”, alega Serra.
    Em 2017, a construtora disse que estava à beira da falência, parou de entregar os apartamentos e pediu recuperação judicial na Justiça de Goiás, um benefício previsto em lei para que as empresas possam reorganizar as finanças, negociar dívidas e evitar a falência. À época, a Borges Landeiro comunicou à Justiça que devia mais de R$ 250 milhões.
    Mas um funcionário da empresa procurou o Ministério Público para denunciar o esquema: a empresa tinha dinheiro para pagar as dívidas e não pagou. Desde então, o colaborador passou a gravar as conversas da diretoria.

    Dejair José Borges, dono da Borges Landeiro (Foto: Reprodução/Cristiano Borges/O PopularDejair).
    Prejuízo
    O aposentado Antônio Francisco de Paula pagou R$ 200 mil por um apartamento da construtora, dinheiro que guardou por muitos anos, mas não recebeu o imóvel nem teve o dinheiro devolvido.
    “Era um dinheiro que acabou com a minha vida porque eu só tinha ele. O meu sonho era ter o apartamento”, lamenta o aposentado.
    O dinheiro de Francisco de Paula e de outros investidores, segundo as investigações do Ministério Público, passou para o nome de pessoas consideradas “laranjas” do esquema, em várias transferências feitas pela construtora.
    O promotor do MP-GO, Juan Borges de Abreu, revela que a empresa celebrou vários negócios jurídicos no período de um ano para desviar esse patrimônio.
    Nas redes sociais, Dejair Borges, presidente da construtora, aparecia em passeios de jatinho e de barco.
    Quando o aposentado teve conhecimento das movimentações da empresa que construiria seu apartamento, disparou: “você passando dificuldade e o cara desfrutando com dinheiro seu”.

    Operação do Ministério Público cumpriu busca e apreensão na sede da empresa, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera).


    Esquema
    O Ministério Público diz que a Borges Landeiro não lucrou apenas com as dívidas não pagas e imóveis não entregues: ganhou dinheiro também usando um suposto “kit falência” - que são estratégias para enganar a Justiça e os clientes.
    Antes da recuperação judicial ser aprovada, uma empresa foi aberta e movimentou R$ 60 milhões em 2018. No papel, os sócios eram o empresário Vicente Conte Neto, o advogado Bruno Burili Santos e um primo de Dejair Borges.
    Um homem identificado como Silfarnei confessou receber R$ 5 mil para colocar seu nome em uma empresa aberta em São Paulo, que seria de fachada, segundo o Ministério Público.
    “(Dejair) pediu se eu podia ajudar ele com os meus dados. Ele abriu uma firma lá em São Paulo e colocou eu de sócio. À época, me passou R$ 5 mil”, revelou o homem.
    Outro áudio mostra Dejair Borges conversando com o funcionário que delatou o esquema à Justiça.
    “Quem tem o controle da companhia? Quem tem o controle, em realidade, sou eu?”, questiona. “É o senhor”, responde o delator.
    As investigações mostram que a empresa de fachada foi atrás de pessoas e firmas que tinham dinheiro a receber da construtora, e propôs pagar parte da dívida - mas uma parte pequena, diz o advogado de 85 clientes da Borges Landeiro, Wilson Rascovitz.
    “Aproveitaram do desespero do consumidor, ou seja, aquele que tinha o seu dinheiro, a poupança que ele fez, um investimento de R$ 30 mil, por exemplo, vai receber R$ 15 mil”, explica Rascovitz.
    Segundo o MP-GO, os movimentos da construtora fazem parte da estratégia do “kit falência”, que ao pagar parte das dívidas, a empresa de fachada conseguiu procurações e teve direito a muitos votos na assembleia de credores – exigência judicial para aprovar o plano de recuperação judicial que estabelece o cronograma de pagamentos aos credores.
    Em março deste ano, o plano de recuperação da Borges Landeiro propôs pagar apenas 30% das dívidas, num prazo de 26 anos, com início do pagamento em 2023.
    Segundo a promotoria, como o dono da empresa de fachada era, na verdade, também o dono da construtora, a proposta, mesmo pouco vantajosa para os credores, acabou sendo aceita.
    O resultado da assembleia não poderia ser diferente, segundo o promotor Juan Borges. “Não tinha como ter um outro resultado. O consumidor infelizmente nessa assembleia de credores fez papel de bobo.”
    Segundo o Ministério Público, com o “kit falência”, a Borges Landeiro conseguiu reduzir as dívidas, comprar os apartamentos de volta a preços baixos, e colocar tudo à venda de novo.
    “A construtora vendia duas vezes o mesmo imóvel. Era um negócio da China. Você conseguia multiplicar seu patrimônio em até 200%”, revela Juan Borges.
    Vicente Conte Neto e Bruno Burili Santos alegam inocência e dizem que não participaram de esquema para ocultar o patrimônio da construtora e fraudar a recuperação judicial.
    O Ministério Público quer que os acusados voltem para o sistema prisional e que a recuperação judicial da construtora seja cancelada.
    Aquele aposentado que investiu R$ 200 mil na compra de um apartamento disse que “quer nada deles”. “Só o que é meu. Quero o que eu paguei corrigido”, dispara Antônio de Paula.



    Fonte G1/Honório Jacometto e Rafael Oliveira.

    0
    Comentarios
PORTAL CATALÃO INTERNET SERVICE LTDA
20 de Agosto, 1882, sala 1 e 2, Centro - Catalão - GO
(64) 3411-0748
e-mails
equipe
João Luiz Ribeiro, Bruno Felício, Jefferson Machado, Vinícius Ramos, Sibylle Machado, Laisse Calaça, Juliana Ribeiro.
SUBIR PÁGINA