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  • 07 de Mar / 2014 - Moda e Beleza
    Sou mulher, apesar dos estereótipos
    Artigo de opinião a respeito do Dia da Mulher, escrito pelo Professor de História Alessandro José Barbosa (Goiano).
    Quando pensei fazer uma homenagem à mulher, pensei logo em ligar para o Chico Buarque a fim de pedir socorro. Afinal, me parece ser o cara que tem uma grande facilidade para entender a alma feminina. Mas, tive medo de que minha esposa achasse o número depois. Melhor não correr riscos desnecessários...

    Por outro lado, imaginei que homenagear a mulher, falar sobre os vários papéis que ela desempenha na vida (filha, esposa, amiga, mãe...) é, antes de tudo, refletir sobre sua condição. Principalmente, no Brasil.


    Por que ainda criamos meninos e meninas com dois pesos e duas medidas diferentes? Por que ainda definimos funções e profissões como sendo: “feminino” e “masculino”? Por que homens e mulheres ainda recebem salários diferentes pelo mesmo trabalho? Em grande medida, isto se deve a um estereótipo. Isto é, um clichê.

    Durante muito tempo, acreditou-se numa natureza feminina que dotaria a mulher biologicamente para desempenhar as funções da esfera da vida privada. Assim, o lugar dela era o lar. Suas funções consistiam em casar, gerar filhos para a pátria e formar o caráter dos futuros cidadãos. Dentro dessa ótica, não existiria realização para as mulheres fora de casa; nem para os homens dentro dela, já que a eles pertenceria a rua e o mundo do trabalho.

    As psiques do homem e da mulher eram vistas como “meros reflexos de suas posições físicas no amor: um procura, domina, possui; a outra atrai, recebe e capitula. O trabalho, visto como pura sublimação dos impulsos naturais, sempre estaria em harmonia com estas posições.” 

    O papel do marido provedor, que legitimou a dependência econômica da mulher, acabou também por torná-la a única responsável pelos serviços domésticos, pela compra de produtos relacionados à dispensa, pelo cuidado com os filhos, etc.. Jamais deveriam pedir a participação do homem nos serviços domésticos. O lar era considerado o lugar onde ele, cansado do trabalho em prol da família, restabelecia as suas forças.

    No Brasil Colônia, por exemplo, a sociedade era marcada pelo patriarcalismo. Ou seja, o poder pertencia ao homem mais velho. Na esfera familiar, ao pai e, na ausência deste, ao primogênito. Nunca à mulher. As filhas eram criadas para o casamento, arranjado pelo pai é claro. Como era exigida da mulher a virgindade antes do matrimônio, eram trancafiadas em casa e só saiam em companhia dos pais. Observe que ao homem não era imposta esta exigência pela sociedade. Após a união, a esposa tornava-se dependente do marido ao qual chamaria de senhor pelo resto da vida. A partir daí, seria cobrado dela a fidelidade. Outro valor que não se imputava ao cônjuge masculino.

    A solidificação das esferas de atuação separadas, entre outras consequências, ocultou a importância social e econômica do trabalho doméstico; tornou-o invisível, camuflou a dureza do trabalho em casa. Limitou as atividades consideradas legítimas exercidas pela mulher; levou o trabalho feminino a ser visto como acessório e temporário; justificou o ganho diferenciado entre homens e mulheres e abafou o grito doloroso daquelas que ousaram denunciar as iniquidades que sofriam.

    Perversamente, circunscreveu a família ao “lar feliz”. A mulher foi apresentada como rainha, atribuindo-se a ela, sobretudo às casadas, uma importância social como forma de indenização, já que as portas do acesso a igualdade de direitos com os homens haviam sido cuidadosamente fechadas.

    O direito ao voto, por exemplo, só chegou em 1934; o Código Civil Brasileiro (de 1916 e que vigorou até o final do século XX) ainda permitia ao “macho” solicitar a anulação do casamento no caso de descobrir que a “fêmea” já havia sido deflorada anteriormente (sic). Tal aberração perdurou até a Constituição de 1988, quando a Lei Magna reconheceu a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Como não se pode comprovar clinicamente a virgindade masculina, não se pode admitir que a mulher tenha que provar a sua.

    Para que se possa avaliar a extensão do machismo em nossa sociedade, basta dizer que, até o advento de nossa mais recente Constituição, havia tribunais do Júri que absolviam maridos que assassinavam esposas adúlteras, sob o argumento de “defesa da honra”. Posto de outra forma: a honra humana se equivalia ao bem vida!

    Embora, hoje, o quadro tenha apresentado significativas melhoras, ainda não é hora de descansar as ferramentas. Cabe a todos nós combatermos os estereótipos, a começar pela educação de nossos filhos e filhas. Esse papel é nosso! De homens e mulheres. De pais e mães. Procuremos educá-los sem estereótipos: “isso é da menina” e “isso é do menino”. Senão eles reproduzirão isto na idade adulta. Tudo é obrigação de todos exceto, o que a biologia/anatomia humana determinar contrário.

    Nossa homenagem a todas as grandes mulheres que foram exemplos de luta e resistência e que muita vezes foram criticadas, incompreendidas e até perseguidas a seu tempo:

    Xica da Silva, Carlota Joaquina, Maria Quitéria, Dª Beija, Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Dª Iolanda, Olga Benário, Cora Coralina, Zuzu Angel, Helena do Pantanal, Dª Lindraci e TODAS VOCÊS!


    Alessandro José Barbosa - "Goiano".
     

    Alessandro José Barbosa - “Goiano”, é Professor de História no Colégio Universitário Poliedro.

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