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  • 22 de Mai / 2020 - Natureza
    22 de maio: Dia Mundial da Biodiversidade
    Preservação da biodiversidade contribui para evitar novas epidemias. Conheça mais sobre o bioma Cerrado
    No dia 22 de maio é celebrado o Dia Mundial da Biodiversidade. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar as pessoas sobre a necessidade de se conservar e proteger a diversidade de vida no planeta. 
    O Brasil é o país que detém a maior biodiversidade de flora e fauna do planeta. São mais de 103.870 espécies animais e 43.020 espécies vegetais conhecidas pela ciência. Essa enorme variedade de animais, plantas, microrganismos e ecossistemas deve-se, entre outros fatores, à extensão territorial e aos diversos climas do país.
    Proteger toda essa riqueza natural e principalmente, geri-la em benefício do bem estar da sociedade, não é tarefa fácil.



    Bioma Cerrado é um dos mais ricos em Biodiversidade (Foto: Reprodução). 



    Em meio à pandemia, a data serve para alertar sobre a importância da preservação da natureza como forma de contribuir para o equilíbrio dos ecossistemas e evitar o risco de situações de proliferação de vírus e ocorrências de epidemias, como a do novo coronavírus.
    As mudanças climáticas e a perda de biodiversidade, e o consequente desequilíbrio ecológico, são fatores que possibilitam o surgimento de novas pandemias. “Quando o homem devasta a natureza, ele acaba colocando à prova a própria existência, pois a perda do habitat — provocada por desmatamentos e destruição de florestas, poluição de rios, queimadas e outras ações humanas — levam os animais a invadir os centros urbanos, que avançam sobre onde antes viviam em paz. Isso faz com que doenças novas cheguem a ambientes urbanos, como é o caso da febre amarela, que antigamente se restringia às áreas rurais e florestais, mas que hoje já ocorre até mesmo em São Paulo”, explica Douglas Trent, ecólogo americano há 40 anos no Brasil e diretor de Pesquisas do Projeto Bichos do Pantanal.
    O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta. Esse fato representa um valor inestimável para o mundo inteiro, uma vez que a diversidade da natureza é a chave para a sobrevivência humana. Proteger toda essa riqueza natural não é algo simples e exige cada vez mais atenção de todas as pessoas e requer muita pesquisa científica.
    O Cerrado
    O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional. A sua área contínua incide sobre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.
    Considerado como um hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam uma notável alternância de espécies entre diferentes fitofisionomias. Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. O número de peixes endêmicos não é conhecido, porém os valores são bastante altos para anfíbios e répteis: 28% e 17%, respectivamente. De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos.
    Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas que, juntas, fazem parte do patrimônio histórico e cultural brasileiro, e detêm um conhecimento tradicional de sua biodiversidade. Mais de 220 espécies têm uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos comestíveis são regularmente consumidos pela população local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa), Mangaba (Hancornia speciosa), Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile), Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Barú (Dipteryx alata).
    Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Estima-se que 20% das espécies nativas e endêmicas já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção. Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a abertura de novas áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos para exportação, tem havido um progressivo esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma Cerrado é palco de uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão.
    Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, de todos os hotspots mundiais, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. O Bioma apresenta 8,21% de seu território legalmente protegido por unidades de conservação; desse total, 2,85% são unidades de conservação de proteção integral e 5,36% de unidades de conservação de uso sustentável, incluindo RPPNs (0,07%).



    Pequizeiro, árvore da família das cariocaráceas nativa do cerrado brasileiro - Foto: Reprodução

    O Tamanduá-Bandeira, facilmente encontrado no Cerrado - Foto: Reprodução 

    Guaracava foi registrada comendo fruto do murici — Foto: Marcelo Kuhlmann/VC no TG

    Guará: o grande lobo do cerrado - Foto: Reprodução





    Com informações de: MMA/ICMBio/Correio Braziliense/Jornal UFG. 

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