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  • 30 de Jan / 2019 - Otílio de Paiva
    Coluna de Literatura - por Otílio de Paiva
    Confira o texto “O Seminarista”, do escritor catalano Otílio de Paiva
    O SEMINARISTA 

    Escritor Otílio de Paiva (Foto: Arquivo Pessoal)

    John Driver, de Boston, Massachusetts, seminarista franciscano, desembarcou no aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, Israel, cheio de expectativas, em pleno inverno para fugir do calor frequentemente excessivo da Terra Santa.

    Deu umas voltas em Tel Aviv, dois dias, mas queria mesmo era ir para Jerusalém e os outros lugares santos da Palestina. A terra que Cristo pisou.

    Tempo fresco, frio quase, num ônibus turístico, espaçoso, alguns serviços de bordo, pôde aproveitar a viagem curtindo as paisagens áridas, mas boas de ver. Se o ônibus diminuía a velocidade ou mesmo parava para deixar atravessar a estrada uns magotes de ovelhas acompanhadas do seu plácido pastor, não ligava. Descia do ônibus e fotografava.

    O guia turístico de seu grupo, todos e somente, naquele ônibus, à certa altura anunciou que faria uma rápida preleção dos lugares que visitariam em Jerusalém e região: A Cidadela da Torre de David, O Monte Sião, A Via Dolorosa, O Santo Sepulcro, O Monte das Oliveiras, as cidades de Nazaré, da Anunciação, e Belém, da Natividade, O Mar Morto, O Lago de Genezaré...

    Chegando à Jerusalém, seguiu o guia.

    Deixou para o fim, indo, sozinho, ao Santo Sepulcro e ao Monte das Oliveiras.

    Sofrera durante todo este tempo com o frio, os insetos, em todos os lugares, e, sobretudo, com o mofo, sempre em todo espaço fechado. No hotel, de um dia para o outro, as paredes do quarto apresentavam mofo e mal cheiro.

    Torceu para que o Santo Sepulcro, lugar abafado por si só, e mais ainda pelos turistas aos montes, tivesse bom cheiro. Torcida frustrada. Muito odor de mofo. O túmulo, lacrado, do qual não se podia ver o interior, vazio, como dizem as Santas Escrituras e os próprios guias, de vários grupos, todos explicando ao mesmo tempo.

    Alguém reclamou: - O que vale ver a carcaça do túmulo, sem ver o interior.

    Outro respondeu: - Ver para que? O quê?

    Um terceiro: - O túmulo vazio é a grande sacada dos Evangelhos. Prova que Jesus ressuscitou e ascendeu aos céus. Uma ossada aí dentro seria a negação do fundamento maior do cristianismo.
    Saiu para fora, em busca de ar, enojado do cheiro de mofo e da conversa que ouvira.

    Encontrou forças para ir ao Monte das Oliveiras. O último lugar para ver. Já era fim de tarde e embarcaria à noite para Tel Aviv. Depois, Boston.

    Subiu ao monte, esperando sofrer uma nova decepção, mesmo porque não sentira naquela jornada à Terra Santa, até então, nenhum prazer verdadeiro, nenhuma epifania ou sequer emoção forte por palmilhar a terra onde Jesus nasceu, cresceu, pregou, foi crucifixado, morto na cruz e, por fim, ressuscitou.

    No topo do Monte das Oliveiras, circundou-o e, por fim, parou em um sítio de onde se podia ver o que restou do Templo de Salomão, A Cidadela, o Muro das Lamentações e os três bairros da cidade murada: o bairro cristão, o bairro muçulmano e o bairro judeu. Só velharias que ainda se conservavam porque são sagradas para as três religiões mais proeminentes do planeta: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo.

    Olhou, olhou. Olhou mais. Finalmente não se conteve.

    Bateu com força, no chão, suas sandálias franciscanas, para tirar o pó, e bradou, em caráter definitivo:

    A Palestina, Jerusalém, sem Jesus Cristo é uma merda!!!

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