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  • 08 de Mai / 2019 - Otílio de Paiva
    Coluna de Literatura – por Otílio de Paiva
    Nesta semana, confira o conto “Carnaval e Cinzas”, do escritor catalano Otílio de Paiva
    CARNAVAL E CINZAS

    Nesta semana, confira o conto “Carnaval e Cinzas”, do escritor catalano Otílio de Paiva (Foto: Arquivo Pessoal)
         

             Milhares de pessoas congestionavam a avenida. A escola de samba passava luminosa, alegre e cadenciada. As pessoas se acotovelavam, ansiosas para verem os passistas, ritmistas e belas e sensuais sambistas que, artisticamente e cheias de promessas, exibiam suas belezas e encantos. Os pais, encantados, comentavam com os amigos a arte posta na avenida e as mães aflitas corriam e vigiavam seus filhos menores, infernais, incansáveis e voluntariosos.
              Uma destas mães, porém, levada pelo samba e enlevada pela viril sonoridade da bateria que passava, distraiu-se perdendo o contato com uma das suas crianças. Logo, tocada pela ausência do filho, começou a procurá-lo, de início, despretensiosamente, porém, à medida que não encontrava resposta aos seus chamados e os outros filhos não davam notícia da criança, o pânico instalou-se em sua alma. Alertou o marido que, após as previsíveis referências a respeito da “natural incapacidade da mulher em vigiar crianças”, tocou-se e começou freneticamente a procurar pelo filho caçula.
              Correm para cá, correm para lá, ninguém dá notícia da criança. A multidão era imensa e, sofregamente, pai e mãe correndo para todos os lados, perguntando, gritando, ansiavam, desesperadamente, pela resposta do filho. Inútil, nenhuma resposta. A quase indiferença ou estranheza dos circunstantes desesperavam e induziam os pais a enfrentar sua miséria pessoal.
              Acabou a festa, desfez-se a concentração. Circundado por um pequeno grupo de pessoas solidárias, o casal, desesperado, abraçando os outros filhos, se dividia em percorrer o centro da cidade ou ir ao pronto-socorro, à polícia, suspeitosos de que seu filho teria sido acidentado ou roubado por alguém envolvido em tráfico ou rapto de crianças. Finalmente, foram convencidos a procurar a polícia.
              Lá, foram recomendados que aguardassem em casa. O delegado prometeu fazer a checagem de praxe, percorrendo a marginalidade conhecida, e fazer contato imediato com o casal, caso surgisse qualquer notícia positiva. O casal foi para casa e grudou-se ao telefone. As horas passavam e apesar das repetidas chamadas à delegacia, nenhuma notícia. Nenhuma criança morta, nenhuma fora encontrada em algum lugar. Os policiais não descartaram a hipótese de tráfico de crianças, rapto ou violência sexual e foram francos a respeito.
              A vigília se arrastou. Os parentes, os amigos mais chegados, os curiosos se revelando amigos de última hora, confortaram o casal. E o tempo passava. Aflição e resignação, induzida pala crença religiosa, alternavam-se em meio a intensa e aflitiva esperança, inconstante. Passou um dia, seguiram-se outros. Em meio a uma novena improvisada, com velas, preces e emoção, o telefone tocou. O pai atendeu. O interlocutor foi direto e franco:
               - Raptamos seu filho. Queremos resgate. Voltaremos a fazer contatos. E desligou.
              O pai virou para a mãe, ao lado, aflita, e disse:
               - Nosso filho foi raptado. Eles querem dinheiro para libertá-lo.
               A mãe, simplesmente, respondeu:
               - Graças a Deus

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