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  • 15 de Mai / 2019 - Otílio de Paiva
    Coluna de Literatura – por Otílio de Paiva
    Nesta semana, confira o conto “A Revista” do escritor catalano Otílio de Paiva
    A REVISTA

    Nesta semana, confira o conto “A Revista” do escritor catalano Otílio de Paiva (Foto: Arquivo Pessoal)
              Francisco olha, detalhadamente, as revistas expostas nas estantes da banca da cidade.

    As mais variadas matérias desfilam diante de seus olhos. Política, economia, saúde e mulheres. Principalmente mulheres. Nuas, lindas e sensuais. Inacessíveis símbolos sexuais a referenciar conceitos de beleza.

              Um exemplar de uma revista masculina chama-lhe, em especial, a atenção. Uma linda mulher, cuja silhueta lhe enche os olhos e lhe toca em especial a imaginação, está estampada na capa.

              Incontinente compra a revista e a leva para casa. Não sem antes tomar os cuidados necessários. Que Deus o livre dos ulcazes do Olimpo se sua mulher a descobrir.

              Chega em casa, recolhe-se ao escritório e começa a folheá-la, avidamente, detendo-se aqui num ângulo do perfeito corpo da beldade, detendo-se lá num aspecto exótico ou erótico de uma curva ou reentrância. E prossegue tranquilo, com a mulher na casa da vizinha, em missão de cortesia.

              Eis, porém, que, de inopino, sua filha, já mocinha, abre a porta, invade seu santuário e o surpreende folheando a revista.

              Surpreendida, admirada com o que vê, demora pouco no escritório para o alívio de Francisco, que se sente desconfortado e aborrecido.

              Logo a mãe chega e a filha, brincando, inocentemente, reporta a mãe sobre a revista com mulheres nuas que o pai estava lendo.

              A mãe imediatamente se escandaliza, corre a saber, e é candente ao condenar com veemência a volúpia, depravação e irresponsabilidade do marido ao trazer para casa revista pornográfica e imoral, cujo acesso, eventualmente, a filha do casal poderia ter, com reflexos negativos para sua formação.

              Francisco tenta argumentar dizendo que ela está exagerando, que a revista possui valor literário, com reportagens interessantes, e que nu é uma coisa comum hoje em dia. Porém, sua mulher é insensível aos argumentos e volta a desfiar acusações.

               Assim, humilhado, sem ação, Francisco se submete às torturantes acusações e refugia-se no silêncio, preocupado em manter a relação conjugal a salvo de uma maior radicalização de sentimentos e apreciações morais.

              Chega a tarde, chega a noite.

              A televisão se instala no lar, no lazer de todos e todos se quedam escravizados a ela.    Vem o noticiário, vem a novela.

              E na novela, grande sucesso do momento, a expressão máxima da sensualidade se instala. Homens e mulheres, frequentemente nus, protagonizam amantes ardentes e apaixonados.

              Assim, a sensualidade explode no lar, a todo momento, e todos, pai, mãe e filha, se mantêm cativos às imagens e ao som. O silêncio dos telespectadores, orquestrado pela mulher, se impõe a favor da voz dos intérpretes.

             A esta altura, a mulher de Francisco, embevecida, se distrai. Para ela, o que se mostra no vídeo é arte, é diversão.

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