Ministros defendem proibição das bets em audiência no STF

Representantes do governo apontaram riscos à saúde pública e ao endividamento das famílias; clubes de futebol e entidades do setor questionaram os impactos econômicos da medida.

Postado em 04/11/2026
Ministros defendem proibição das bets em audiência no STF
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Por Síbylle MachadoComercial

A proibição das apostas on-line, conhecidas como bets, foi tema de uma audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (3), com posições divergentes entre o governo federal e representantes do setor esportivo e de apostas.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defenderam a manutenção da medida provisória que proibiu a exploração das apostas de quota fixa no Brasil. Segundo o governo, a regulamentação anterior não foi suficiente para conter os prejuízos sociais associados à atividade.

 

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias. A ação questiona a constitucionalidade da medida e pede a suspensão da proibição.

 

Governo aponta impactos na saúde e nas finanças das famílias

Durante a audiência, Jorge Messias argumentou que a proteção da população deve prevalecer sobre interesses econômicos relacionados às apostas, incluindo contratos de patrocínio esportivo. Para ele, a existência de um mercado clandestino não é justificativa suficiente para manter uma atividade que, na avaliação do governo, provoca danos sociais.

Wellington César Lima e Silva também defendeu a medida. O ministro da Justiça afirmou que o Estado precisa agir diante dos efeitos do endividamento e da vulnerabilidade de pessoas e famílias afetadas pelas apostas.

 

Já Alexandre Padilha apresentou dados sobre a dimensão do problema. Segundo números citados pelo ministro da Saúde, 28 milhões de brasileiros fizeram apostas nos 12 meses anteriores à proibição, dos quais cerca de 10,9 milhões apresentaram comportamento de risco. Ele também mencionou o aumento superior a 200% na procura por atendimento no SUS relacionado aos problemas associados aos jogos entre 2018 e 2026.

 

Clubes de futebol alertam para perdas financeiras

Do outro lado do debate, representantes de clubes de futebol e entidades ligadas ao mercado de apostas manifestaram preocupação com os efeitos econômicos da proibição. Entre os pontos levantados estão a perda de receitas com patrocínios, o risco de demissões e a interrupção de contratos firmados antes da medida.

Os representantes também questionaram o prazo de transição previsto para o encerramento das atividades, argumentando que a mudança pode gerar insegurança jurídica e dificuldades financeiras para organizações que dependem desses recursos.

 

O que acontece agora?

A audiência pública serviu para reunir argumentos e informações que poderão subsidiar a análise do caso pelo STF. A realização do debate, por si só, não representa uma decisão definitiva sobre a constitucionalidade da medida.

A discussão coloca em lados opostos a defesa da saúde pública e da proteção financeira das famílias e as preocupações com os efeitos econômicos sobre clubes, empresas e outros setores ligados às apostas.

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