Pesquisa da USP usa nanopartículas para bloquear genes ligados à inflamação da pele.

Tecnologia experimental busca atuar diretamente nas células afetadas por doenças como vitiligo e psoríase; estudo ainda não representa uma cura disponível para pacientes.

Postado em 03/09/2026
Pesquisa da USP usa nanopartículas para bloquear genes ligados à inflamação da pele.
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Por Síbylle MachadoComercial

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo uma tecnologia baseada em nanopartículas capaz de transportar moléculas terapêuticas diretamente para células da pele e interferir na atividade de genes envolvidos em processos inflamatórios.

O trabalho é desenvolvido no NanoGeneSkin, laboratório da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), e tem como foco doenças dermatológicas crônicas e de difícil tratamento, como vitiligo, psoríase e câncer de pele.

Apesar dos resultados considerados promissores, a tecnologia ainda está em fase experimental e não deve ser interpretada como uma cura já disponível ou aprovada para uso comercial.

Como funciona a tecnologia

A estratégia utiliza estruturas microscópicas, como nanopartículas formadas por lipídios e outros materiais, para atravessar as barreiras da pele e levar o tratamento até as células desejadas.

Essas partículas podem transportar pequenas moléculas de RNA capazes de interferir na produção de determinadas proteínas.

Na prática, o chamado RNA de interferência funciona como uma espécie de bloqueador das instruções celulares associadas a determinados genes. Ao impedir que essas mensagens sejam executadas, os pesquisadores buscam reduzir processos inflamatórios ou respostas imunológicas inadequadas.

A vantagem estudada é a possibilidade de concentrar a ação terapêutica diretamente na região afetada, diminuindo a exposição de outras partes do organismo.

Testes apontaram repigmentação em modelo de vitiligo

Em experimentos realizados com camundongos utilizados como modelo de estudo para vitiligo, a aplicação da tecnologia reduziu sinais de inflamação e esteve associada à repigmentação da pele em cerca de 15 dias, segundo os resultados descritos pela equipe.

Os achados servem como evidência inicial de que a estratégia pode ter potencial terapêutico.

No entanto, resultados obtidos em animais não significam que o mesmo efeito ocorrerá necessariamente em seres humanos.

Pesquisa ainda precisa avançar antes do uso em pacientes

O desenvolvimento é coordenado pela professora Maria Vitória Lopes Badra Bentley, com participação de pesquisadores da FCFRP-USP, entre eles Ana Vitória Pupo Silvestrini.

Antes de uma eventual disponibilização do tratamento, serão necessárias novas etapas para avaliar aspectos como segurança, dosagem, possíveis efeitos adversos e eficácia em seres humanos.

Somente após estudos pré-clínicos e ensaios clínicos adequados será possível determinar se a tecnologia poderá se transformar em uma opção de tratamento.

Por isso, os resultados representam um avanço científico em investigação, mas ainda não uma cura definitiva para vitiligo, psoríase ou outras doenças de pele.

 

Fonte: informações sobre pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP.

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