SUS começa a ofertar nove novos medicamentos contra o câncer e prepara rastreamento do câncer de intestino.

Medida prevê tratamentos para diferentes tipos de tumores, com expectativa de beneficiar mais de 116 mil pessoas; distribuição de testes para detectar sinais de câncer colorretal também foi anunciada.

Postado em 22/10/2026
SUS começa a ofertar nove novos medicamentos contra o câncer e prepara rastreamento do câncer de intestino.
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Por Síbylle MachadoComercial

O Ministério da Saúde iniciou a oferta de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as opções de tratamento para pacientes com diferentes tipos de câncer. A iniciativa contempla 13 indicações terapêuticas e tem previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas.

Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é disponibilizar 23 novos medicamentos oncológicos até o fim de 2026, ampliando em 35% as alternativas de tratamento na rede pública. O investimento anual previsto para viabilizar o conjunto de medicamentos é de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Os novos tratamentos abrangem cânceres de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de linfomas, leucemia e tumores neuroendócrinos, entre outras indicações. De acordo com a pasta, os medicamentos podem contribuir para aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, conforme o tipo e o estágio da doença.

Quais medicamentos passam a ser ofertados?

Entre os medicamentos anunciados estão:

  • Abemaciclibe: indicado para determinados casos de câncer de mama.

  • Trastuzumabe: passa a contemplar também pacientes com câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.

  • Abiraterona: utilizada em diferentes situações de câncer de próstata.

  • Gefitinibe: indicado para determinados casos de câncer de pulmão de não pequenas células.

  • Pazopanibe: opção terapêutica para câncer renal metastático.

  • Rituximabe: utilizado em indicações específicas de leucemias e linfomas.

  • Acetato de lanreotida: indicado para determinados tumores neuroendócrinos.

  • TSH recombinante (alfatirotropina): utilizado em situações específicas do tratamento do câncer diferenciado de tireoide.

  • Sunitinibe: indicado para determinados casos de câncer renal e tumores estromais gastrointestinais (GIST).

A oferta será implementada inicialmente em 20 centros de tratamento distribuídos pelas regiões brasileiras, com previsão de expansão para os demais serviços habilitados até o fim do ano. A disponibilização depende da indicação clínica e dos critérios estabelecidos para cada tratamento.

SUS inicia preparação para rastrear câncer de intestino

Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde é a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, conhecidos como FIT, para iniciar a implantação do rastreamento do câncer colorretal na rede pública.

A estratégia será direcionada a homens e mulheres assintomáticos com idade entre 50 e 75 anos. A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com previsão de início em novembro nas capitais e nos municípios com mais de 500 mil habitantes.

O teste detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem estar relacionadas à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal. O resultado serve como triagem para identificar quem precisa realizar colonoscopia para investigação complementar.

A realização do FIT é simples e não invasiva. Um resultado positivo, porém, não confirma sozinho o diagnóstico de câncer: é necessária avaliação médica e, quando indicada, colonoscopia.

Outras medidas para ampliar o atendimento oncológico

O pacote anunciado inclui ainda mudanças no financiamento de procedimentos, exames e cirurgias relacionados ao tratamento do câncer. Entre elas estão o aumento dos recursos destinados à iodoterapia, a atualização dos valores pagos por procedimentos de anatomia patológica e a ampliação do financiamento de cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão.

O Ministério da Saúde também prevê fortalecer serviços de diagnóstico, incluindo iniciativas de patologia digital e telepatologia, com o objetivo de acelerar a análise de biópsias e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.

Outra medida anunciada é a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma linha de cuidado específica para o retinoblastoma, tipo de câncer que afeta a retina e atinge principalmente crianças pequenas. Um dos sinais de alerta é o reflexo branco na pupila, que exige avaliação especializada.

As ações integram a estratégia federal Agora Tem Especialistas, voltada à ampliação do acesso a consultas, exames e tratamentos especializados no SUS.

A efetivação dos benefícios depende da implantação das medidas nos serviços de saúde, da disponibilidade dos tratamentos e do encaminhamento dos pacientes conforme os critérios clínicos de cada procedimento.

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