Gasolina com 32% de etanol já está em vigor no Brasil, entenda o que mudou.

Nova composição passou a valer em 1º de agosto e terá vigência inicial de 180 dias; MPF questiona na Justiça estudos utilizados para autorizar a mistura.

Postado em 14/08/2026
Gasolina com 32% de etanol já está em vigor no Brasil, entenda o que mudou.
folha uol
Avatar
Por Síbylle MachadoComercial

A gasolina comum comercializada no Brasil passou a ter 32% de etanol anidro em sua composição desde o dia 1º de agosto de 2026. Antes da mudança, o percentual obrigatório era de 30%.

A nova mistura, conhecida como E32, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho e terá vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a ampliação do uso do etanol busca reduzir a dependência brasileira de gasolina importada e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo.

O governo afirma que testes técnicos avaliaram itens como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas. De acordo com o ministério, os resultados não apontaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados, inclusive modelos não flex.

Mudança pode alterar consumo?

A maior participação de etanol modifica a quantidade de energia disponível por litro de combustível. Na prática, o consumo pode variar conforme o modelo do veículo, tipo de motor, condições de condução e características de cada automóvel.

Desde a entrada em vigor da E32, especialistas também passaram a discutir mudanças na tradicional comparação entre os preços da gasolina e do etanol hidratado para veículos flex.

Análises recentes apontam que a antiga chamada “regra dos 70%” pode deixar de representar corretamente todos os casos, já que a gasolina agora possui uma proporção maior de etanol em sua composição.

MPF questiona mudança na Justiça

Antes da entrada em vigor da nova mistura, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para tentar suspender o aumento do percentual de etanol.

O MPF argumenta que não teriam sido realizados estudos específicos e conclusivos suficientes para avaliar todos os possíveis impactos da mistura E32 sobre a frota nacional e sobre o meio ambiente.

Segundo o órgão, os estudos utilizados pelo governo teriam sido originalmente realizados para avaliar a mistura de 30% de etanol, utilizando uma margem de tolerância que chegava aos 32%. O Ministério Público defende a realização de análises específicas antes da consolidação do novo percentual.

O Ministério de Minas e Energia, por outro lado, sustenta que a gasolina E32 é tecnicamente viável e segura para a frota brasileira.

Até o momento, a nova composição segue sendo utilizada no país desde 1º de agosto.

E veículos mais antigos?

Uma das principais preocupações levantadas no debate envolve veículos mais antigos ou modelos que não foram desenvolvidos considerando percentuais elevados de etanol.

O MPF cita possíveis riscos relacionados à corrosão, desgaste de componentes e comportamento de determinados motores, argumento utilizado na ação que questiona a medida.

Já os estudos apresentados pelo governo indicam que não foram identificados impactos relevantes nos veículos avaliados.

Por isso, proprietários de veículos antigos, importados ou com especificações particulares podem consultar o manual do fabricante ou uma assistência especializada para verificar as recomendações de combustível para cada modelo.

O que muda para o motorista

Para quem abastece normalmente nos postos, não é necessário solicitar a gasolina E32. A mistura é realizada antes de o combustível chegar ao consumidor.

Desde 1º de agosto, portanto, a gasolina comum comercializada dentro das novas regras já possui 32% de etanol anidro.

A medida permanecerá válida inicialmente por 180 dias, enquanto o debate técnico e judicial sobre a nova composição continua.